quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Enawenê-Nawê



Toy Art da Etnia Enawêne-Nawê


#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
48Enawêne-NawêEnauenê nauê, Salumã, Enawenê-nawêAruak
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
MT641Siasi/Sesai 2012


Falam a língua salumã, pertencente à família lingüística Aruak. Habitam a Terra Indígena Enawene-Nawe, totalmente regularizada, uma região de vegetação variada, com cerrado e floresta tropical localizada no vale do afluente rio Juruena, a noroeste de Mato Grosso, município de Juína, Comodoro e Campo Novo dos Parecis – MT. Vivem neste território em uma única aldeia, próxima ao rio Iquê, porém os rituais e cerimoniais culturais ocupam outros pontos de sua terra. Os Enawenê Nawê se dividem em nove clãs distribuídos em nove hakolo (malocas) que, além de corresponderem à unidade de troca matrimonial, desempenham funções econômicas e rituais. Além dessa divisão em clãs, compreendem-se, socialmente, em três grupos: o residencial, o doméstico e o familiar. Eles que são responsáveis pela construção, restauração e manutenção dos hakolo (malocas). Nelas, os Enawenê Nawê se organizam em grupos domésticos, constituídos da união de grupos familiares. Como na maioria dos grupos indígenas, os homens, uma vez casados, passam a morar na casa dos seus sogros. Cada maloca mede 30 metros de comprimento por 6 de largura. A altura pode chegar a até 5 metros. Assim, é formado o grupo residencial doméstico, que tem seu próprio fogo, sua própria roça e coleta de frutos silvestres.

Tradicionalmente, não consomem caça e não têm o hábito de caçar. O peixe é a principal base protéica de sua alimentação e é recolhido em grandes pescarias coletivas. No entanto, essa comida tradicional está seriamente ameaçada. Outra opção de comida é a mandioca. Acreditam que a raiz seja ligada ao espírito aos espíritos Yakairiti. São plantadas em roças coletivas e homenageadas com o ritual Lerohi no mês de agosto, onde é feito o beijú e uma bebida fermentada. O milho também é cultivado, mas sempre em mata ciliares, que está relacionada ao espírito dos céus, o Enore. É consumido em forma de mingaus, bolos e sopas. Atualmente vivem em constante risco de contraírem doenças, porque suas águas estão sendo poluídas por invasões freqüentes de garimpeiros.

Os primeiros contatos foram feitos por volta de 1974, com os jesuítas Vicente Cañas e Tomáz de Aquino Lisboa, membros da Missão Anchieta, quando a sua população era de apenas 100 pessoas. Eram conhecidos como Salumã. Por meio do povo Pareci, seus vizinhos próximos, em 1983, é que descobriu-se a verdadeira autodenominação do grupo. Dificilmente deixam suas aldeias para contato com os não-índios, mantendo sua autonomia devido à privilegiada localização geográfica. Dessa forma, poucas coisas, tais como ferramentas (machado, facão, enxada e outros) e medicamentos, interferem no seu modo de vida. Os Enawenwnawê são alegres e ricos em diversidade musical e danças, bem como nas indumentárias, que caracterizam sua peculiaridade. São muito espiritualistas, tendo essas atividades orientadas pelo calendário ritual e acreditam que há um outro tipo de vida após a morte. 

Desconhecem o uso do dinheiro e comércio da maneira como é utilizada na sociedade não-indígena. Poucos entendem o idioma português. Esse povo tem consciência dos limites de sua terra, que lhes é sagrada, e da necessidade de defendê-la. A OPAN – Operação Anchieta - desenvolve um trabalho indigenista entre esse povo. Sua população é de aproximadamente 330 pessoas. Pela terceira vez, deixarão sua aldeia com uma delegação de 30 atletas para participar do evento. Eles praticam uma modalidade esportiva com bola de látex, jogada apenas com a cabeça, o Xikunahity (pronuncia-se Zikunariti), que também praticado pelo Povo Pareci.

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