sábado, 30 de janeiro de 2016

Amondawa

Toy Art Amondawa

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
5Amondawa
Tupi-Guarani
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
RO113Siasi/Sesai 2012


Esta é a comunidade perfeita para quem está sempre atrasado ou não gosta de revelar a idade. Cientistas britânicos descobriram uma tribo amazónica que não tem noção do tempo ou de datas. Assinalam transição para a idade adulta passando o nome para um recém-nascido.

A tribo não tem as estruturas linguísticas que relacionam tempo e espaço – como, por exemplo, na tradicional ideia de “no ano que vem”.

Pesquisadores brasileiros e britânicos identificaram uma tribo amazônica que, segundo eles, não tem noção do conceito abstrato de tempo.

Chamada Amondawa, a tribo não tem as estruturas linguísticas que relacionam tempo e espaço – como, por exemplo, na tradicional ideia de “no ano que vem”.

O estudo feito com os Amondawa, chamado “Língua e Cognição”, mostra que, ainda que a tribo entenda que os eventos ocorrem ao longo do tempo, este não existe como um conceito separado.

Noção de tempo

A ideia é polêmica, e futuras pesquisas tentarão identificar se isso se repete em outras línguas faladas na Amazônia.

O primeiro contato dos Amondawa com o mundo externo ocorreu em 1986, e, agora, pesquisadores da Universidade de Portsmouth (Grã-Bretanha) e da Universidade Federal de Roraima começaram a analisar a ideia de tempo da forma como ela aparece no idioma falado pela tribo.

“Não estamos dizendo que eles são ‘pessoas sem tempo’ ou ‘fora do tempo'”, explicou Chris Sinha, professor de psicologia da língua na Universidade de Portsmouth.

“O povo Amondawa, como qualquer outro, pode falar sobre eventos e sequências de eventos”, disse ele à BBC. “O que não encontramos foi a noção de tempo como sendo independente dos eventos que estão ocorrendo. Eles não percebem o tempo como algo em que os eventos ocorrem.”

Tempo na linguagem

Tanto que a tribo não tem uma palavra equivalente a “tempo”, nem mesmo para descrever períodos como “mês” ou “ano”.

As pessoas da tribo não se referem a suas idades – em vez disso, assumem diferentes nomes em diferentes estágios da vida, à medida que assumem novos status dentro de sua comunidade.

Mas talvez o mais surpreendente seja a sugestão dos pesquisadores de que não há interconexão entre os conceitos de passagem do tempo e movimento pelo espaço. Ideias como um evento que “passou” ou que “está muito à frente” de outro são comuns em muitas línguas, mas tais construções linguísticas não existem entre os Amondawa.

“Isso não significa que (as construções) estão além das capacidades cognitivas da tribo”, prosseguiu Sinha. “Apenas não são usadas no seu dia-a-dia.”

Quando os Amondawa aprenderam português – que está se tornando mais comum entre eles -, eles facilmente incorporam a noção do tempo em sua linguagem.

A hipótese dos pesquisadores é de que a ausência do conceito de tempo se origina da ausência da “tecnologia do tempo” – por exemplo, sistemas de calendário e relógios. Isso, por sua vez, pode estar relacionado ao fato de que, como muitas tribos, o sistema numérico detalhado dos Amondawa é limitado.

Termos absolutos

Tais argumentos não convencem Pierre Pica, linguista teórico do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica (CNRS), que foca seus estudos em uma outra língua amazônica, conhecida como Mundurucu.

“Relacionar número, tempo e espaço por uma simples ligação causal parece sem sentido, com base na diversidade linguística que conheço”, disse ele à BBC News.

Pica diz que o estudo sobre os Amondawa “tem dados muito interessantes”, mas argumentos simplificados.

Sociedades pequenas como os Amondawa tendem a usar termos absolutos para relações espaciais normais – por exemplo, referir-se à localização específica de um rio que todos na comunidade conhecem bem, em vez de usar uma palavra genérica para rios.

Em outras palavras, enquanto os Amomdawa podem ver a si mesmos se movendo através de arranjos temporais e espaciais, seu idioma talvez não reflita isso de uma maneira óbvia.

Novos estudos devem aprofundar o conhecimento sobre o assunto, diz Sinha.

“Queremos voltar (à tribo) e verificar (a teoria) novamente antes que a língua desapareça – antes que a maioria da população comece a aprender desde cedo a usar sistemas de calendário.”

Kariri-Xocó

Toy Art Kariri-Xocó

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
96Kariri-Xokó
Cariri-xocó

Aikaná
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
AL2311Funasa 2009



Localização

Os Kariri-Xocó estão localizados na região do baixo São Francisco, no município alagoano de Porto Real do Colégio, cuja sede fica em frente à cidade sergipana de Propriá. As duas cidades estão ligadas pela ponte que serve de eixo entre a região sul e o nordeste brasileiro, como parte da BR-101. A aldeia e o posto indígena estão cerca de um quilômetro da praça central da cidade. Representam, na realidade, o que resta da fusão de vários grupos tribais depois de séculos de aldeamento e catequese. Seu cotidiano é muito semelhante ao das populações rurais de baixa renda que vendem sua força de trabalho nas diferentes atividades agro-pecuárias da região. Contudo, pode-se dizer que é um grupo que tem sua indianidade preservada pela manutenção do ritual do Ouricuri. Em novembro de 1978 esta identidade foi revitalizada pela retomada da Fazenda Modelo ou Sementeira, então administrada pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (CODEVASF) e por eles considerada parte de seu território ancestral. Esta conquista estimulou uma política de reformulação positiva de sua identidade, quer como "índio" (genérico), quer como Kariri-Xocó.

Nome

A denominação Kariri-Xocó foi adotada como conseqüência da mais recente fusão, ocorrida há cerca de 100 anos entre os Kariri de Porto Real de Colégio e parte dos Xocó da ilha fluvial sergipana de São Pedro. Estes, quando foram extintas as aldeias indígenas pela política fundiária do Império, tiveram suas terras aforadas e invadidas, indo buscar refúgio junto aos Kariri da outra margem do rio.
Kariri (ou Kirirí), por outro lado, é um nome recorrente no Nordeste e evoca uma grande nação que teria ocupado boa parte do território dos atuais estados nordestinos desde a Bahia até o Maranhão. As referências a Xocó (ou Ciocó) remontam ao século XVIII.
A denominação Kariri-Xocó para se referir ao grupo, identificar a aldeia bem como o posto indígena é, porém, recente, posterior à criação da FUNAI. O posto em Colégio, fundado em 1943, recebeu o nome de Posto Indígena Padre Alfredo Dâmaso, modificado depois para P.I. Kariri. Apesar disso, em 1960 Hohenthal Jr. identifica como Xocó a comunidade indígena de Porto Real do Colégio. No interior do grupo esta dupla denominação também pode causar disputa ou motivar união. Quando ainda aspiravam conquistar de volta a ilha de São Pedro, juntamente com os Xocó que permaneceram no município sergipano de Porto da Folha, a ascendência Xocó era a mais acionada. Por outro lado, quando perceberam que a conquista das terras da Fazenda Modelo ou Sementeira era politicamente viável, a identidade Kariri se sobrepôs.

Língua

Os Kariri-Xocó não preservaram sua língua. Apenas alguns termos foram mantidos. Clarice Novaes da Mota, em As Jurema told us (1987), faz minucioso levantamento de vocábulos indígenas usados pelos Kariri-Xocó para designar plantas mágicas e medicinais por eles utilizadas. Os mesmos afirmam preservar "na idioma", como se referem à sua língua extinta, expressões mágicas do ritual do Ouricuri.

População

De acordo com dados fornecidos pela FUNAI, em 1997 a população Kariri-Xocó estava estimada em 1.500 pessoas, número que vinha sendo repetido desde, pelo menos, 1993.
Em notícias publicadas na Gazeta de Alagoas de 22-11-92 e 1-10-93, porém, os números variam de "1.700 índios" na primeira data para "2.500 integrantes" na segunda. Cabe ressaltar que esta última notícia se refere à ida de um representante do grupo à Câmara Municipal de Maceió para pedir apoio dos vereadores à causa das terras indígenas. O número, portanto, neste contexto, não é um dado imparcial.
Conforme relatório do primeiro agente do Posto Indígena, havia, em 1944, 166 pessoas identificadas como índios. No início de meu trabalho de campo, em 1979, havia 728 índios registrados no Posto da FUNAI. Em 1983 o número se elevara para 1.050, em parte devido à reocupação de terras da Fazenda Modelo ou Sementeira, que provocou a volta à aldeia de parentes dispersos e tornou vantajoso o casamento misto, numa região de escassez de terras.
Ao tratar da demografia Kariri-Xocó é preciso levar em conta que entre as pessoas que se auto-identificam como índias e como tal são identificadas pelo grupo e pelos não índios, há negros, loiros de olhos azuis e biotipos ameríndios. Ser índio em Porto Real do Colégio significa ser filho da aldeia e conhecer o segredo do Ouricuri, desde a primeira infância. Há, porém uma diferenciação interna. Se a pessoa tem pai e mãe identificados como Kariri e/ou Xocó, é descendente. Se, além disso freqüenta o Ouricuri, é conhecedor. Para ser realmente membro da aldeia, pois, o ideal é ser descendente e conhecedor. Há, contudo formas atenuantes: a parte não-índia de um casamento misto pode vir a ser um caboclo de entrada se, merecendo a confiança do grupo, for convidado pelo pajé a freqüentar o Ouricuri. Há ainda a condição de cabeça seca, que inclui todos nós que não conhecemos o segredo do Ouricuri.

História do contato

Os jesuítas chegaram às margens do rio São Francisco provenientes dos Colégios da Bahia e de Pernambuco. A cidade de Porto Real do Colégio tem este nome por ter-se originado da Residência do Urubumirim, fundada em terras doadas ao Colégio Jesuíta de Recife. Em torno desta Residência foram estabelecidas duas aldeias para fins de catequese, de acordo com a Lei de 4 de junho de 1703. Esta lei se baseava no Alvará Régio de 1700, que determinava que "a cada missão se dê uma légua em quadra para a sustentação dos índios e missionários". A aldeia de Colégio estava a sete léguas a montante de Penedo e a de São Brás, cerca de duas léguas acima de Colégio. A área das duas aldeias seria de "duas léguas de frente por uma de fundo", dimensões que vamos encontrar registadas em toda a documentação oficial e que é mantida pela tradição oral do grupo.
Com a expulsão dos jesuítas em 1759, suas fazendas de gado foram arrematadas em hasta pública. As aldeias indígenas, porém, passaram para a administração de outros missionários ou à leiga, apoiada por um assistente espiritual.
Na aldeia de Colégio viviam Cropotós, Cariris, Aconans, Ceococes (certamente plural de Ciocó ou Xocó) e Prakiós. A aldeia missionária é, pois, o berço do "caboclo", identificação genérica que, no século XIX adquire um conteúdo racista, através do qual a política do Império irá desqualificar as populações indígenas numa política a que o jurista Dalmo Dallari denomina "anti-aldeia". Alegando a inexistência de "índios de raça primitiva", as aldeias são extintas em 17 de julho de 1873 pelo Ministério de Agricultura, Comércio e Obras Públicas.
Curiosamente, a tradição oral do grupo, como aliás ocorre entre outras populações indígenas do Brasil, atribui o direito à posse imemorial das terras a uma doação do imperador Pedro II. No caso, a mesma teria ocorrido em sua viagem à cachoeira de Paulo Afonso em 1859. D. Pedro efetivamente esteve em Porto Real do Colégio e foi recebido por um grupo de índios. O episódio está registrado no diário de viagem do imperador que se refere aos índios como "descendentes de raça já bastante cruzada" (Pedro II, 1959: 111). A política fundiária do Império parece reforçar a idéia que desta população fazia o imperador e nenhum termo de doação foi localizado nos arquivos pesquisados.

Da "Rua dos Índios" para a Fazenda Modelo

Uma série de circunstâncias fazem com que 459,4 hectares de toda esta terra fiquem, com as destinações mais diversas, em poder do Estado, quer no Império, quer na República. Em 1978, quando administrada pela CODEVASF, parte destas terras, correspondentes à Fazenda Modelo, é ocupada pelos Kariri-Xocó, que alegam direito de posse imemorial. A ocupação se dá logo após a chegada ao baixo São Francisco do Projeto das Áreas Inundáveis da CODEVASF, que vem alterar as estruturas fundiárias de toda a região. Da área original os índios já haviam recebido 50 hectares após a criação do Posto Indígena e mantinham preservando-lhe a mata original, as terras do Ouricuri (cerca de 100 hectares, de acordo com o Parecer da FUNAI n. 138/86 GT Port. Interministerial 003/83 Dec. 88 188/83), mantida intacta pelo respeito ao segredo e aos poderes sagrados por parte dos Kariri-Xocó e pelo receio de conseqüências mágicas por parte dos não-índios.
A área indígena foi delimitada como de posse indígena permanente através da Portaria n. 600 de 25-11-91. Pelo Decreto de 4 de outubro de 1993 a área foi homologada com 699,35 ha ( PETI/MN).
Ao invadirem a fazenda, ocupam todas as suas dependências. Aos poucos, porém, com ajuda de uma entidade canadense, a FUNAI vai fornecendo material para que as casas sejam construídas na nova aldeia. Assim, vão abandonando a "Rua dos Índios" no centro de Colégio, onde viviam junto aos não-índios, embora segregados numa rua. Na esquina desta rua estava o Posto Indígena e, junto ao mesmo, a escola. Em 1983 o Posto Indígena foi transferido para a fazenda ocupada. A escola foi desativada, só voltando a funcionar em 1997. Durante o período de minha pesquisa, a escola da aldeia ministrava aulas até a 4ª série, ocasião em que os alunos deveriam passar a freqüentar o ginásio local. As professoras da escola da comunidade eram em geral descendentes de outros grupos tribais do nordeste e não havia um currículo específico para a escola indígena. Para fazer o 2º grau, índios e não-índios de Colégio deveriam ir a Propriá.

Remanejamento das atividades econômicas

Com a instalação da Hidroelétrica de Sobradinho, que começou a funcionar em 1979, a agricultura de inundação teve de ser repensada, pois, devido à barragem, o rio já não teria seu ciclo de enchentes e vazantes determinado pelo sistema de seus afluentes. Assim sendo as áreas anteriormente inundáveis são desapropriadas para dar lugar a projetos de agricultura de irrigação. A rizicultura é a mais atingida, mas de um modo geral toda a região parece parar a espera da instauração da nova ordem. As mudanças atingem os índios enquanto trabalhadores meeiros ou alugados. É neste contexto de mudanças que o momento propício para a tomada das terras é vivenciado pelo grupo.
A Fazenda Modelo também teve suas lagoas de plantio de arroz afetadas pelo novo regime imposto pela barragem de Sobradinho. Tanto assim que a CODEVASF planejava nela criar um programa de piscicultura (1979) , quando a mesma foi invadida pelos Kariri-Xocó.
Tendo em vista as modificações provocadas pela barragem de Sobradinho, que inviabilizada a agricultura que obedecia ao ciclo de enchente e vazante do rio São Francisco, as várzeas inundáveis são em grande parte desapropriadas para que se implantem projetos de irrigação baseados em lotes distribuídos num sistema de cooperativa agrícola. Um deles foi o Projeto Itiúba, implantado em 1975 na região de Colégio. Alguns índios conseguem nele inscrever-se como parceleiros, com acesso a empréstimo bancário pagável com produção agrícola, participação nas reuniões dos cooperativados, devendo obedecer aos horários de abertura da água para irrigar seus lotes e aceitar a supervisão dos agrônomos da CODEVASF, que distribuía a semente de arroz padronizada. A maioria, porém, se sente discriminada. Em 1980, os mesmos Kariri-Xocó que invadiram a Fazenda Modelo pressionam a CODEVASF para que alguns dos seus sejam selecionados como parceleiros. Organizam um piquete à entrada da sede administrativa do Projeto e conseguem que mais índios, em número superior a quarenta, sejam aceitos como parceleiros. Estes, porém, ficam separados dos primeiros, em lotes de um outro setor, de cuja má qualidade se queixam, passando posteriormente a ser assistidos por um técnico contratado pela Funai. A situação, porém, não é satisfatória e poucos parceleiros, índios ou não, conseguem obter um saldo positivo junto à cooperativa. Alguns vão trabalhar no corte de cana de usinas localizadas no sul do estado de Alagoas em áreas onde esta cultura é recente. Outra fonte de renda é o uso do barro para a fabricação de tijolos pelos homens, sendo as mulheres do grupo famosas ceramistas. Normalmente a cerâmica é feita na entressafra, quando as mulheres não trabalham na agricultura. Fabricam potes e outras peças utilitárias. Registros antigos se referem a esta atividade como uma alternativa para os períodos de crise. Durante a enchente de 1979, foi a única atividade que pôde ser realizada para ajudar no sustento do grupo. Na Fazenda Modelo ou Sementeira há lagoas com barro de reconhecida qualidade. Entretanto, apesar de ser uma prática secular, já nos fins dos anos 1980 parecia estar diminuindo o interesse das jovens em aprender a tradicional manufatura.

Organização social e política

A estrutura familiar do grupo em nada difere à encontrada entre as populações rurais pauperizadas. A família se constitui de pai e mãe e filhos menores, havendo unidades em que o pai é ausente.
A liderança da aldeia está dividida entre "cacique" e "pajé", estrutura, ao que parece, introduzida pelo primeiro chefe do Posto Indígena. Este também teria acrescentado, aos sobrenomes portugueses de longa data adotados pelos índios, outros que considerou de origem indígena. Assim temos Suíra, Taré, Nindé, Piragibe... anexados a Queirós, Santiago, Pires...
Com o tempo, os cargos foram legitimados e atualmente o pajé e o cacique são escolhidos no Ouricuri, quando não há uma interferência mais direta do órgão tutelar. Há ainda um Conselho formado pelos mais velhos. A essas autoridades "tradicionais" passa a se opor, quando dos preparativos da invasão da Fazenda Modelo e depois dela, um grupo que se autodenomina "liderança" e que se considera mais apto a lidar com as novas estruturas de poder da região.
Na condição de integrados, os Kariri-Xocó participam intensamente do cotidiano da sociedade local, como representantes das camadas mais pobres. Como acontece entre estas, fazem uso do clientelismo e do compadrio como formas de lidar com a ordem estabelecida. O compadrio ajuda a resolver problemas de saúde, obtenção de empregos, vaga na escola. O clientelismo se faz presente sobretudo na política local. Os índios, apesar de tutelados, podem votar e ser votados (Resolução 7.019/66 do TSE). Em 1983 havia um índio vereador na câmara municipal de Porto Real do Colégio.
Os índios nascem e morrem dentro dos rituais da igreja católica. As crianças costumam ser batizadas e registradas. São enterrados no cemitério local dentro do mesmo esquema reservado para os pobres em geral. No que se refere ao casamento, as pessoas devem casar no civil e no religioso. O casamento com não-índios se dá quase sempre por "fuga", com o roubo da noiva. A fuga resolve sobretudo as divergências decorrentes do fato de um dos dois ser índio, pois a "honra" da moça, a ser preservada, exige que se realize o casamento civil, não mais na igreja, que exigiria casar "de véu e grinalda".

O ritual do Ouricuri e a dança do Toré

Parece irrefutável que é o ritual do Ouricuri que dá sentido à terra, à família, à identidade, à chefia, enquanto princípio organizador. Estrutura a vida perceptível mediante a ordenação do sagrado, do misterioso, do intangível, daquele reduto da vida indígena que a sociedade nacional não consegue dominar. Durante o trabalho de campo, sempre me foi cobrada uma atitude discreta em relação ao ritual, que costumam denominar nosso segredo, nosso particular. Certamente, por motivo dessa reserva, quer do ponto de vista documental, quer no que se refere a registro etnográfico, as informações são pobres e não correspondem à magnificência de seu significado para a sobrevivência e coesão dos remanescentes indígenas.
Denomina-se Ouricuri o complexo ritual e o local onde se realiza. É praticado por vários grupos do nordeste. Em Colégio as festividades duram 15 dias, nos meses de janeiro-fevereiro. A fartura faz parte da festa e para lá é levado sob a forma de alimentos, tudo o que se consegue acumular durante o ano. Na mata cerrada há uma clareira, o "limpo", onde ocorre o ritual. Em volta do "limpo" há construções de tijolo para alojar as pessoas durante sua permanência. É uma outra aldeia, a taba, construída para fins religiosos.
O corpo ritual do Ouricuri se constitui num conjunto de cantos e danças e na ingestão de jurema, infusão feita da entrecasca da raiz desta árvore, posta a macerar para produzir o vinho. O climax do ritual é o transe resultante do uso da jurema. Neste estado os participantes dizem romper as barreiras entre passado, presente e futuro numa comunhão com seus ancestrais e suas divindades. Além de orientar as situações sociais vivenciadas pelo grupo, é em torno de seu significado que os Kariri-Xocó se reúnem na luta pela terra. Em 1978 eles saem do Ouricuri para invadir a Fazenda Modelo, depois de um ritual que os fortalece para a luta.
Além do ritual, os índios de Colégio mantém a tradição da dança do toré. Existem duas modalidades. O chamado toré "de roupa" é uma simples forma de folguedo, que pode ser dançado em qualquer festa, com roupas comuns. O toré mais ritualizado, o "de búzios" (espécie de trombeta) "faz parte do segredo, mas não é o segredo". Quando dançado, evoca o segredo do Ouricuri. Após a invasão da fazenda, usando saiotes de palha e soprando os búzios, os índios de Colégio dançaram um toré de búzios para as autoridades presentes, a fim de mostrar sua condição de "índios verdadeiros". A dramatização da identidade faz ver que, apesar da longa trajetória de "integração", continuam capazes de se manter índios e fortalecidos pelo segredo do Ouricuri.

Fonte : Vera Lúcia Calheiros Mata
Universidade Federal do Rio de Janeiro

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Amanayê

Toy Art Amanayê
#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
4AmanayêAmanaié, AraradeuaTupi-Guarani
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
PA131Siasi/Sesai 2012


Autodenominação: Amanagé que significa 'uma associação de pessoas' (Equipe 2002). Os Amanagé que vivem no Igarapé Ararandeuara chamam se também pelo nome do igarapé.

Outros Nomes: Amanaié, Araradeus (Equipe 2002), Amanage, Amanajé, Amanyé, Manajo, Manaxo, Manaze, Manazo (SIL).

População: 210 (DAI/AMTB 2010); 134 (FUNASA 2010); 204 (Culturasindígenas.org 2005).

Localização: Vivem no alto rio Capim no Pará em três Terras Indígenas: T I Barreirinha 2.374 ha homologada em 2006, registrada no CRI e SPU, no município de Paragominas, 86 Amanayé (FUNASA 2010); T I Sarauá 18.6 ha. ou 19 ha, no município de Ipixuna, foi homologada em 2012 e registrada no CRI, com 87 Amanayé (FUNAI 1998); T I Amanayé no alto rio Capim, no município de Goianésia do Pará, é confirmada mas ainda para identificar e planamento e delimitação em 2005 (CIMI e FUNAI).

Língua: Amanayé é da família linguística: Tupi-Guarani. Não usam mais a língua devido ao contato e casamentos com quilombolas e brancos no rio Capim, mas alguns termos da língua são mesclados ao português (Equipe 2002). Tupi-Gurani Subgrupo VIII com Anambé, Guajá, Emerillon, Ka'apor, Turiwára, Wayampii e Zo'é (SIL).

História:
Os Amanayé eram primeiramente conhecidos vivendo no rio Pindaré no norte do Maranhão (Equipe 2002). Eles resistiram as ameaças de aldeamento por alguns anos, mas a final em 1755 consentiram mudar para viver com os Guajajara na aldeia de São Francisco do Carará dos jesuítas com Padre Fay (Equipe 2002). Depois os Amanyé se dividiram em quatro grupos. Um grupo mudou-se para o rio Alpercata na divisa ente o Maranhão e o Piauí, perto da Aldeia Santo Antônio, mas miscigenaram se com os quilombolas. Outro grupo atravessaram o Rio Parnaíba e ficaram no Piauí em 1763 (Equipe 2002).

Os Amanayé que permaneceram no Pindaré e Gurupi viviam em três aldeias na margem do rio Caju-Apará, que era formador do rio Gurupi e a sua população entre 300 e 400, entre muitos mais Tembé. Em 1815 Capitão Ribeiro, cortando uma estrada entre o interior do Maranhão e o rio Tocantins, descreveu os Amanayé vivendo entre os regionais de Pastos Bons, 'destruídos depois de 50 anos de coexistência' com os brancos. No século XIX os aldeamentos forçados pelos portugueses eram em decadência conforme muitos visitantes (Hemming 1987.146). Tornaram parte das 'Diretorias Parciais', estabelecidos em 1845 para proteger os índios da exploração dos regatões, que buscaram óleo de copaíba, casca de cravo, breu e rama de abuta. Mas na realidade as 'Diretorias' os abusaram como trabalhadores doceis e baratos. Entretanto esta regime durou somente até 1889 (Equipe 2002). O Presidente de Amazonas recusou encher as cargas de Diretores, declarando: 'Considero os índios ganhar algum beneficio se eu livrá-los destes perseguidores oficiais.' O Bispo do Pará considerou os Diretores melhores fossem aqueles que nada fizeram com os índios!

No Maranhão os aculturados Guajajara, Tembé e Amanayé eram conhecidos coletivamente como os 'Tenetehara'. O Diretor Parcial em Barra do Corda controlava 2.270 indígenas. Em 1887 o Presidente do Maranhão despediu os Diretores no Pindaré por maltratar os índios. Os Amanayé eram influenciados pelos rebeles da Cabanagem para participar na rebelião. Os Guajajara rebelaram também de depois tropas eram enviados de Barra do Corda e os índios fugiram para as florestas (Hemming 1987.246-248). Neste época eram conhecidos como os Dodt com um total de 600 (Hemming 2003.721).

O quarto grupo migravam para o Pará e se estabeleceram no rios Moju e Capim e sofreram aldeamento compulsório na Missão São Fidelis no rio Capim, onde os padres os separaram dos outros índios por ser 'rebeldes'. Em 1873 os Amanayé mataram um padre, frade Candido de Heremence, e um engenheiro belga. Devido as represálias um grupo fugiu para o Igarapé Ararandeua para evitar mais contato com os brancos e tentaram cobrir sua identidade por se chamar os Ararandeua. Os que permaneceram na Missão mataram um grupo de Tembé e Turiwara em 1880. Em consequência os Tembé e Turiwara, considerados 'índios mansos', foram armados para se defender contra os Amanajé bravos. Mas os Amanayé migraram para cabeceiras do rio Capim (Equipe 2002). No fim do século XIX um quinto grupo dos Amanayé, com Anambé, foi descoberto nas aldeias dos Arapari, no rio Tocantins (Equipe 2002).

Com a formação do SPI uma expedição encontrou com 300 dos Amanajé do Igarapé Ararandeua e eram liderados por uma mulata chamada Damásia. Viviam em quatro aldeias. Em 1942 havia 17 remanescentes liderados pelo filho de Damásia. Em 1941 houve um ataque por ainda outro grupo de Amanayé vindo da região dos rios Surubiju e Carandiru contra os índios no rio Capim.

Em 1945 foi criada a Reserva Amanayé, pelo Interventor Federal, para índios no alto rio Capim, e os Amanayé ocuparam as margens do rio Candiru-Açu. Mas não foram tomadas providências para tornar efetivo esse Decreto, e, portanto, nenhuma assistência foi dada ao grupo.

Estilo da Vida:
Na T I Sarauá é uma aldeia de seis casas de 12 famílias com 72 índios. A área era cobiçada pelo fazendeiro e também pelo pescadores atraídos pelas lagoas. O Tribuanl de Justiça reconheceu em 2010 que os índios Amanayé têm direto as terra da Fazenda Balalaica que está dentro a Terra Indígena já demarcada (Equipe 2002). Em Sarauá os Amanayé vivem em casas de famílias nucleares, isoladas e cercadas por suas roças. São construídas de pau-a-pique com sala, cozinha e quarto. A principal fonte de alimento é a pesca nos numerosos rios, igarapés e lagos. A caça é importante de anta, veado, paca e capivara. A exploração da madeira e a pesca pelos regionais está prejudicando a vida dos Amanayé (Equipe 2002).

Barreirinha localiza-se no município de Paragominas, distante 140 km. Está situada sob a barreira da margem do rio Capim em uma curva que faz a correnteza rápida e funda. Em Barreirinha não usam o termo 'aldeia' mas a chama 'nosso lugar'. As dez casas formem uma vila com 12 famílias, num total de 73 pessoas. As casas são de madeira ou de pau-a-pique e cobertas de cavacos com sala, quarto e cozinha. A comunidade tem luz elétrica e televisão, produzida por um gerador a óleo diesel (JusBrasil 2002).

A caça, pesca, coleta de fruta silvestres e plantações sustentam a comunidade e fornecem uma parte para trocar com regatões para bens industrializados. A pesca é a maior fonte de alimentos. A Ilha de Poça Real na outra margem em frente à vila é usada para a criação de porcos e a pesca. As roças produzem arroz, mandioca, inhame, mamão, abacaxi e banana. Os quintais ao lado das casas produzem laranjas, goiabas, limões, açaí e outras frutas (JusBrasil 2002).

O meio ambiente da região do rio Capim sofreu danos pela exploração madeireira que também é anti-econômica, pela pecuária com baixa eficiência e pela agricultura que exausta o solo e pelo uso de pesticidas. Há um projeto de canalizar o rio Capim para ser hidrovia navegável para o transporte da argila caulim e bauxita da região Paragominas (JusBrasil 2002). O projeto foi realizado e o leito do rio foi dragado para deixar passar embarcações de calado 1.5 m.

Sociedade:
Os Amanayé vivem principalmente em dois grupos. Na T I Barreirinha 86 pessoas vivem. Os homens que trabalham nas fazendas só voltam no fim da semana. Uma escola é mantida pela Secretaria de Educação de Ipixuna, com um casal de professores que moram em Barreirinha. Em 2002 a maior problema é falta de um abastecimento seguro de água potável, a população tira a água de um igarapé. A malária é um problema e assistência médica é disponível na fazenda Jacará ou em Paragominas, que fica dois dias de viagem de barco.

Na T I Sarauá a aldeia tem seis casa de 12 famílias de 72 pessoas e mais duas famílias que vivem na Fazenda Tabatinga vizinha. Outros residem em propriedade às proximidade de Barreirinha, um grupos em Ararandeua e nas cidade de Paragomina, Ulianópolis, Tailândia e na capital Belém.

Artesanato:

Religião: Seus cemitérios estão hoje em propriedades particulares. Antigamente enterraram os mortos dentro da casa. O cemitério em Barreirinha é perto das casas. Não ritos especiais no momento do enterro, apenas rezas católicas e o túmulo é marcado por uma cruz de madeira sem nome (JusBrasil 2002). Os católicos realizam batismo e casamentos.

Bibliografia:

DAI/AMTB 2010, 'Relatório 2010 - Etnia Indígenas do Brasil', Organizador: Ronaldo Lidório, Instituto Antropos instituto.antropos.com.br
EQUIPE de edição da Enciclopédia Povos Indígenas no Brasil, 2002, 'Amanyé', Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo. pib.socioambiental.org/pt/povo/amanaye
HEMMING, John, 1987, Amazon Frontier – The Defeat of the Brazilian Indians, London: Pan Macmillan
HEMMING, John, 2003, Die If You Must – Brazilian Indians in the Twentieth Century, London; Pan Macmillan
JUSBRASIL 2002, pg 23 Seção 1 Diário Oficial da União de 12/08/2002 jusbrasil.com.br/diarios/659034/dou-secao-1-12-08-2002-pg-23
SIL 2009, Lewis, M Paul (ed), Ethnologue: Languages of the World, 16th Edition. Dallas, Tex: SIL International. Versão on line: www.ethnologue.com

Akuntsu

Toy Art Akuntsu

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
3AkuntsuAkunt'suTupari
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
RO5Siasi/Sesai 2012


Conhecida como a tribo de 5 homens, a etnia Akuntsu constituem-se hoje num dos menores grupos étnicos do Brasil. Marcada por usurpação de terras e por massacres, sua história pouco se diferencia das de outros povos indígenas de Rondônia.

Em meados dos anos 1980, os Akuntsu viveram provavelmente o seu último grande conflito com os brancos. Provas encontradas pelas frentes da Funai revelaram que nas matas da região havia acontecido um massacre, pois foram encontrados restos de utensílios e vestígios de uma aldeia com aproximadamente trinta indivíduos. Dez anos mais tarde, quando o órgão indigenista oficial contatou pela primeira vez os Akuntsu, o relato de um dos membros do grupo, composto então por apenas sete pessoas, esclareceu aos sertanistas da Funai o que havia realmente acontecido. Kunibu reconheceu os restos de cerâmica e alguns utensílios como pertencentes à sua antiga aldeia, e revelou com clareza de detalhes, inclusive mostrando no próprio corpo as marcas, o que a seu ver tratou-se de uma tentativa de exterminá-los. Kunibu relata o ataque que ele e seu povo sofreram por parte de homens brancos que há muito queriam expulsá-los de suas terras, e lembra com pesar dos nomes dos mortos, que parecem ser mais de quinze.

Segundo informação do representante da Funai no local, Moacir Góes, em março de 2005 o grupo era constituído por Kunibu (também conhecido como Babá), homem de aproximadamente 65 anos; Ururu, mulher de cerca de 75 anos; Popak, do sexo masculino e próximo dos 35 anos; além de três índias com idades entre 18 e 30 anos.

Em janeiro de 2000, durante uma tempestade noturna, uma grande árvore caiu sobre a casa de Kunibu, matando sua filha mais nova e ferindo-o.

Em outubro de 2009, faleceu a mulher mais velha do grupo, Ururu, que tinha em torno de 85 anos.

A população akuntsu reduziu-se ainda mais, contando, em 2012, com apenas 5 ultimas pessoas.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Rikbaktsá

Toy Art Rikbaktsá

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
176RikbaktsáErigbaktsa, Canoeiros, Orelhas de Pau, RikbaktsáRikbaktsá
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
RO161Funasa 2010


Os Rikbaktsa, conhecidos como "Orelhas de Pau" ou "Canoeiros", tidos como guerreiros ferozes na década de 1960, enfrentaram um processo de depopulação que resultou na morte de 75% de seu povo. Recuperados, ainda hoje impõem respeito à população regional por sua persistência na defesa de seus direitos, território e modo de vida.

Os Rikbaktsa vivem na bacia do rio Juruena, no noroeste do Mato Grosso, em duas Terras Indígenas contíguas - a TI Erikpatsa e a TI Japuíra e em uma terceira, a TI do Escondido, mais ao norte, na margem esquerda do rio Juruena.
Rikbaktsá assiste a uma prova de arco e flecha nos Jogos dos Povos Indigenas

Seu território tradicional situava-se entre os paralelos 9° e 12° latitude sul e os meridianos 57° e 59° longitude oeste, espraiando-se pela bacia do rio Juruena, desde a barra do rio Papagaio, ao sul, até quase o Salto Augusto no alto Tapajós, ao norte; a oeste expandia-se em direção ao rio Aripuanã e a leste até o rio Arinos, na altura do rio dos Peixes.

Embora isolada, a região há havia sido atravessada por expedições científicas, comerciais e estratégicas desde o século XVII. Entretanto, pouco se conhecia das matas ocupadas pelos Rikbaktsa já que, naqueles trechos do rio Juruena e Arinos, as expedições mantinham-se sempre no leito do rio ou na sua proximidade, pouco se aventurando no interior da mata. Deste modo, até a penetração dos seringueiros no final da década de 1940, nenhuma menção havia sobre os Rikbaktsa. A ausência de referências históricas anteriores e de estudos arqueológicos não permite determinar a antiguidade de sua ocupação. Entretanto, a memória tribal, as referências geográficas expressas em mitos e o extenso e detalhado conhecimento da fauna e flora que demonstram ter sobre o território e seus arredores fazem supor uma permanência bastante antiga.

Eram bem conhecidos pelos grupos indígenas vizinhos com os quais, quase sem exceção, mantiveram relações hostis. Famosos por seu ethos guerreiro lutaram com os Cinta-Larga e Suruí a oeste, na bacia do rio Aripuanã; com os Kayabi a leste e com os Tapayuna a sudeste, no rio Arinos; com os Irantxe, Paresí, Nambikwara e Enawenê-Nawê ao sul, no rio Papagaio e nas cabeceiras do rio Juruena; com os Munduruku e Apiaká ao norte, no baixo rio Tapajós. Opuseram resistência armada aos seringueiros até 1962.

Rikbaktsá

A partir da "pacificação" dos Rikbaktsa, financiada pelos seringalistas e realizada pelos jesuítas entre 1957 e 1962, seu território tradicional passou a ser ocupado por diversas frentes pioneiras, de extração de borracha, madeireiras, mineradoras e agropecuárias. Durante e logo após a pacificação, epidemias de gripe, sarampo e varíola dizimaram 75% de uma população calculada em cerca de 1.300 pessoas. Perderam a maior parte de suas terras e a maior parte das crianças pequenas foram retiradas das aldeias e educadas no Internato Jesuítico de Utiariti, situado no rio Papagaio, a quase 200 km de sua área, junto com crianças de outros grupos indígenas também contatados pelos missionários. Os adultos remanescentes foram sendo gradativamente transferidos de suas aldeias originais para aldeias maiores e mais centralizadas sob a direção catequizadora dos jesuítas. Em 1968 tiveram demarcada cerca de 10% de seu território original - a Terra Indígena Erikpatsa - as crianças foram sendo levadas de volta para as aldeias e a atuação missionária nele se centralizou.

Na década de 70, a atuação missionária se modificou, atenuando seu autoritarismo, reconhecendo o direito dos povos indígenas à sua própria cultura e abrindo mais espaço, sempre reivindicado pelos Rikbaktsa, a uma maior autonomia. Desde o final dos anos 70 passam a lutar pela recuperação de parte de suas terras. Em 1985, conseguiram retomar a região conhecida por Japuíra. Continuaram a luta pela região do Escondido, demarcada pelo Estado brasileiro só em 1998, estando, entretanto, ainda invadida por garimpeiros, madeireiras e empresa de colonização.

Idioma Rikbaktsá

Seu idioma é considerado por pesquisadores do Instituto Lingüístico de Verão como uma língua não classificada em família, incluída no tronco lingüístico Macro-Jê.

Um dos aspectos interessantes da língua Rikbaktsa é o fato, comum a várias outras línguas indígenas, de haver uma diferença entre a fala masculina e a feminina, de modo que a terminação de muitas palavras indica o sexo do falante. O conhecimento e a maestria no uso da linguagem é reconhecidamente mais desenvolvido nos velhos, cujas conversas costumam ser acompanhadas com interesse pelos que querem refinar seu conhecimento da língua.

Atualmente os Rikbaktsa são bilíngües, tendo aprendido e incorporado o português. As novas gerações falam mais regularmente e melhor o português, aprendendo e utilizando a língua Rikbaktsa à medida em que crescem e ocupam um espaço no mundo adulto. Os mais velhos, por outro lado, utilizam o português com mais dificuldade e apenas no contato com os "brancos".

Os modificadores e palavras da função preposicional podem ser prefixados com pronomes pessoais, mas neste trabalho são registrados em forma não prefixada. Por exemplo, haraze ‘em frente’ tem a forma iharaze ‘em frente dele’ (entre outras), mas a forma usada como forma principal no dicionário é haraze.
Às vezes quando os rikbaktsa falam rapidamente, duas silabas se tornam uma só. Esta união occore nas situaçoås seguintes:
(a) Quando ‘r’ ou ‘h’ ocorre entre duas vogais iguais, a consoante desaparece e as duas vogais se tornam um vogal longa. Quando o ‘r’ ou ‘h’ ocorre entre duas vogais desiguais, a consoante pode desaparecer e as duas vogais se tornam um ditongo decrescente.
karapukaråta ‘estou com sede’ quase sempre se pronuncia [ka:pukaæta] tsihikbatsa ‘arara’ se torna [tsi:kbatsa]
wahoro ‘casa’ se torna [wahou] ou [waho:]
v
(b) Da mesma maneira ‘w’ desaparece antes de ‘y’ deixando ditongo que termina em ‘u’.
Tabawy (nome de mulher) se pronuncia [tabau]
(c) ‘i’ e ‘o’ ficam surdos entre consoantes surdas e às vezes desaparecem. itsipa ‘braço dele’ pode se tornar [itspa]
isukpe ‘as costas dele’ pode se tornar [iskpe]
(d) Duas vogais contíguas reunem-se para constituir uma sílaba só. boatsa ‘macacos’ pode se tornar [bwatsa]
O acento tônico é um outro fator que modifica as sons. Geralmente a sílaba tônica é a penúltima e por esta razão não precisa escrever acentos nas palavras como no português. Quando a vogal ocorre numa silaba átona, a pronúncia fica mais curta e mais central na boca. Então é difícil distinguir ‘y’ de ‘a’, ‘i’ de ‘e’, e ‘u’ de ‘o’; especialmente quando ‘a’ e ‘y’ ocorrem depois de uma consoante bilabial (m,b,p,w).

Veja mais no Dicionário Rikbaktsa

Zo'é

Toy Art Zo'é
#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
239Zo'éPoturuMondé
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
MT625Associação Povo Indígena Zoró Pangyjej 2010



Os índios que habitam o Cuminapanema se reconhecem hoje como "Zo'é", termo que significa simplesmente "nós". Esse pronome se consolidou gradativamente como uma autodenominação que os diferencia dos não-índios, chamados kirahi. Nos anos de 1980, quando tiveram que começar a conviver com os missionários e agentes da Funai, a palavra zo'é não era usada para designar a si mesmos, mas para identificar qualquer pessoa que aparentasse alguma proximidade e fosse então considerada "gente como nós". O termo Poturu, difundido na década de 80 como nome do povo Zo'é, designa tão somente a madeira da árvore utilizada para confeccionar os adornos labiais embe'pot.

Os Zo'é são um grupo da família linguística tupi-guarani que habita o interflúvio Cumunapanema/Erepecuru (atual Terra Indígena Zo'é), noroeste do estado do Pará. Atualmente totalizam 267 indivíduos, distribuídos em 14 aldeias. Eles se subdividem em diferentes grupos locais (-wan), identificados com determinadas áreas territoriais, onde estão as aldeias ancestrais, suas roças, seus acampamentos, antigos e novos. Mas as famílias pertencentes a esses grupos frequentemente convivem nas mesmas aldeias, alternando períodos de aproximação e outros de dispersão na áreas de ocupação que lhes são próprias.

Uma análise detalhada dos dados populacionais de 1992 até 2013 [1] demonstra que a população Zo'é, após o final do período de mortes geradas pelo contato com os missionários, é crescente. No primeiro período o crescimento foi na ordem de 5,19%, já os subsequentes 4,14% se estabilizando em 1,83%. (1992: 138 – 1998: 171 – 2010 – 2013: 269).

Zoe-Junho2009MarioVilelaFUNAI295150-(151)
O contato com missionários protestantes norte-americanos e com sertanistas da Funai foi largamente noticiado pela mídia, que em 1989 divulgou as primeiras imagens deste povo tupí, até então vivendo numa situação de isolamento. A Funai tinha conhecimento do grupo desde pelo menos o início dos anos 70, quando procedeu ao levantamento dos grupos isolados que estavam na rota da construção da rodovia Perimetral Norte (BR-210). Na época, o contato com o grupo do Cuminapanema foi planejado, mas a interrupção das obras da Perimetral levou a  Funai a desistir do contato.

Em 1987, os Zo'é optaram pelo contato definitivo com o grupo missionário que os assediara desde 1982. A Funai passa a ter presença constante na região a partir de 1989, dividindo a assistência com os missionários até o ano de 1991, quando consegue retirar judicialmente os missionários e assume a proteção dos Zo'é. Nos primeiros anos, a política da Funai foi a de manter os índios em isolamento, porém, a partir de 2011, provocada por ações desencadeadas pelos Zo'é, a Fundação constata a necessidade de atualizar e reorientar suas ações junto a esse povo, com vistas à melhoria na política voltada aos índios recém contatados e a relação destes com o Estado brasileiro.

[1] Relatório de Consultoria para o Programa para Proteção e Gestão Sustentável das Florestas Tropicais.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Índios Brasileiros em Toy Art - Grupos Étnicos

Etnias Indígenas em Toy Art
Existe um universo de culturas dentro do Brasil, que por medo, tédio e/ou preconceito, poucos se atrevem a conhecer, esse universo é composto por quase um milhão de pessoas, aproximadamente 305 grupos étnicos, falando 274 idiomas diferentes, eles tem sua própria concepção de mundo, religião, conhecimentos únicos de botânica, ecologia e sustentabilidade...

Para eliminar o ‘tédio’, adotei o perfil Tupi-Pop dos meus blogs, resolvi abordar cada etnia por meio de Toy Arts, e tal qual as centenas de Pokemons, personagens de Naruto, etc., as etnias indígenas serão assuntos de fácil entendimento aos *Otakus Tupi-Pop.

A partir do descobrimento do Brasil pelos portugueses, em 1500, os europeus passaram a ter um grande contato com as tribos tupis-guaranis que estavam espalhadas por praticamente toda a costa brasileira. Os tupis-guaranis chamavam os indígenas de fala diversa à sua de Tapuia – que, em sua língua, significava "inimigo". Este vocábulo foi incorporado pelos europeus, que passaram a considerar que, no país, havia apenas duas grandes nações indígenas: a Tupi-Guarani e a Tapuia.

Os Tapuias, considerados pelos europeus como mais primitivos e de catequese e conquista mais difíceis, foram duramente combatidos e exterminados – e muitos dos povos e tribos então existentes desapareceram de forma tão completa que sequer existe registro direto de sua existência.

No século XIX, o cientista alemão Carl Friedrich Philipp Von Martius percorreu grande parte do território brasileiro e propôs uma divisão dos índios brasileiros segundo um critério linguístico. Baseado nesse critério, ele criou o grupo gê, que englobava tribos que falavam línguas semelhantes e que costumavam autodenominar-se utilizando a partícula gê, que significava "pai", "chefe" ou "antepassado"'. Um nome alternativo, segundo o próprio Martius, seria cram, pois, nesse grupo, também era muito utilizada a partícula cran ("filho", "descendente") para a nomeação das tribos. Grande parte das antigas tribos tapuias estava englobada pelo grupo Gê.

Já no começo do século XX, os antropólogos passaram a rejeitar o nome "Tapuia" e adotaram a denominação de "Gês" para este outro grupo de famílias linguísticas. Em 1953, a Associação Brasileira de Antropologia adotou a forma "Jê" em substituição a "Gê". Com a reforma ortográfica, que preconizava o uso de "j" em vez de "g" para os termos oriundos das línguas indígenas brasileiras, a palavra "Gê" passou a ser grafada "jJê".

Por apresentarem semelhanças nas suas origens é possível classificar os grupos linguísticos e os troncos linguísticos, o linguista Morris Swadesh fez um importante trabalho de classificação que alem da linhagem genética, levava em consideração o método conhecido como glotocronologia, no qual determina-se primeiramente a partir de um vocabulário básico de cem ou duzentos termos comuns, quais são os verdadeiros cognatos, (palavras que se demonstram serem derivadas de uma única palavra ancestral). Uma taxa de 81% de cognatos indica cinco séculos desde que as duas línguas se separaram; 36% indicariam aproximadamente 2.500 anos de separação;  12% uns 5.000 anos.

Infelizmente as línguas nativas de tribos indígenas brasileiras estão entre as mais ameaçadas de extinção no mundo - Há 300 anos, morar na vila de São Paulo de Piratininga era quase sinônimo de falar língua de índio. Somente 2 em cada 5 habitantes da cidade conheciam o português. Por isso, em 1698, o governador da província, Artur de Sá e Meneses, implorou a Portugal que só mandasse padres que soubessem “a língua geral dos índios”, pois “aquela gente não se explica em outro idioma” siba mais

Por motivos como esses, segundo uma classificação feita pela National Geographic Society e pelo Living Tongues Institute for Endangered Languages. Os idiomas índios estão sendo substituídas pelo espanhol, o português e idiomas indígenas mais fortes na fronteira do Brasil com a Bolívia e o Paraguai, nos Andes e na região do Chaco, revelaram os pesquisadores. Por exemplo: menos de 20 pessoas falam Ofaié, e menos de 50 conseguem se expressar em Guató.

Grande maioria dos países foram construídos encima da destruição de povos, o Brasil é um dos poucos que ainda tem a importante chance de resgatar identidade e de aprender com o povo remanescente, dessa forma, conseguimos estabelecer a classificação de 20 grupos étnicos, sendo quatro deles os mais importantes (Tupi, Macro Jê, Aruak e Karib) descritos abaixo:
Grupo Tupi em Toy Art

1 - Grupo Tupi

O termo "tupis" possui dois sentidos: um genérico e outro específico. O sentido genérico do termo remete aos índios que habitavam a costa brasileira no século 16 e que falavam a língua Tupi Antiga. O sentido específico do termo remete aos índios que habitavam a região o litoral brasileiro inclusive a atual cidade de São Vicente, na mesma época, foram os primeiros índios a terem contato com os portugueses que aqui chegaram.

O Grupo Tupi se divide em 10 famílias: Tupi-Guarani, Arikém, Aweti, juruna, Mawé, Puroborá, Mundurukú, Ramarama e Tuparí.
Grupo Macro-Jê em Toy Art

2 - Grupo Macro-Jê

As línguas do tronco macro-jê legaram algumas palavras para a língua portuguesa, embora não de modo tão expressivo quanto as línguas do tronco tupi. Geralmente, são topônimos da Região Sul do Brasil com origem na língua caingangue, como Goioerê, Xanxerê, Erechim, Erebango, Campo Erê, Goioxim, Nonoai etc.
Grupo Aruak em Toy Art

3 – Grupo Aruak

As línguas aruaques, nuaruaques, aruak ou arawak formam uma família de línguas ameríndias da América do Sul e do Mar do Caribe. As línguas aruaques são faladas em grande parte do território das Americas ao sul em direção ao Paraguai e ao norte, em países da costa norte da América do Sul, como o Suriname, a Guiana e a Venezuela.

Segundo o linguista Ayron Rodrigues, essa língua, também conhecida como Lokono, era falada em algumas ilhas antilhanas, como Trinidad. Quando os europeus inciaram sua colonização do Caribe, os Aruák aí dividiam e disputavam o mesmo espaço com os Karib, e foi com uns e outros que aqueles tiveram seus primeiros contatos com a população nativa e com suas línguas. Assim como Karib, o nome Aruák veio a ser usado para designar o conjunto de línguas encontradas no interior do continente e aparentadas à língua Aruák. Ainda segundo esse autor, esse conjunto de línguas foi também chamado de Maipure ou Nu-Aruák e corresponde ao que Carl Friedrich Von Martius há mais de um século chamou de Guck ou Coco.
Grupo Karib em Toy Art

4 - Grupo Karib

As línguas caribes, karib, caribas, caraíbas são uma família linguística indígena da América Central e da América do Sul. Ela está dispersa por todo o norte da América do Sul, desde a foz do Rio Amazonas até os Andes colombianos, mas também aparece no Brasil central. As línguas caribes são relativamente próximas entre si.
Grupos Aikaná, Arawá, Guaikurú e Iránxe em Toy Art

5 – Grupo Aikaná

Os Aicanãs (também conhecidos como Aikanã, Massacá, Massaká, Huari, Corumbiara, Kasupá, Mundé, Tubarão, Winzankyi) são um povo indígena brasileiro. Falam a língua Aicanã. Os aikanã vivem no estado de Rondônia, na bacia do rio Guaporé. Suas três aldeias fazem parte da Terra Indígena Tubarão-Latundê, localizada a 100 quilômetros da fronteira com a Bolívia e a 180 quilômetros da cidade mais próxima, Vilhena.

6 – Grupo Arawá

Os Arawá, (também conhecidos como Arauá, Deni, Jarawara, Kanamanti, Kulina, Paumari, Jamamandi e Zuruahá), são um grupo indígena que habita o sudoeste do estado brasileiro do Amazonas, mais precisamente na "Terra Indígena Deni", situada nos municípios de Itamarati e Tapauá.

Os primeiros contatos dos Arawá com o homem branco provavelmente se deram no final do século XIX ou primeiros anos do século XX.

Os Arawá estão entre os grupos indígenas da região dos rios Juruá e Purus que, na década de 1940, sofreram os impactos do segundo ciclo da borracha, que atraiu milhares de migrantes. Com estes, vieram doenças, violentas disputas territoriais e exploração da mão de obra indígena. Desde então, os Arawá tiveram que esperar décadas até terem seus direitos territoriais assegurados, sendo preciso iniciar uma campanha de autodemarcação das terras, com apoio de algumas Ongs, para então conseguir a demarcação oficial, que só foi concluída em agosto de 2003.

7 – Grupo Guaikurú

O termo guaicurus remete aos grupos indígenas cujas línguas pertencem à família lingüística guaicuru. Eram famosos por serem uma tribo guerreira que se utilizavam de cavalos para as caçadas e ataques. Migraram para o território brasileiro, na região dos estados do Mato Grosso do Sul e Goiás, fugindo da colonização na região do norte do Paraguai.

8 – Grupo Iranxé

Os Iranxe (também são conhecidos como Irantxe), estão localizados em Mato Grosso-MT e segundo dados da FUNASA-2010 sua população é de 379. Manoki é como se autodenominam os índios mais conhecidos como Irantxe, cuja língua não tem proximidade com outras famílias lingüísticas. Sua história, contudo, não é muito diferente da maioria dos índios no Brasil: foram praticamente dizimados em decorrência de massacres e doenças advindas do contato com os brancos. Em meados do século XX, a maior parte dos sobreviventes não viu alternativa senão viver em uma missão jesuítica, responsável por profunda desestruturação sócio-cultural do grupo.
Grupos Jabuti, Kanoê, Katukina e Kwazá em Toy Art

9 – Grupo Jabuti

Os Jabutis (também são conhecidos como Djeromitxi e Arikapu), são um grupo indígena que habita o sul do estado brasileiro de Rondônia, mais precisamente as Áreas Indígenas Rio Branco, Rio Guaporé e Terra Indígena Jabuti. No passado a tribo foi muito ameaçada pela presença de garimpeiros em sua área original, fato em parte resolvido pela demarcação de suas terras.

A maioria dos falantes da língua jabuti também fala o português e há outros que ainda sabem se comunicar através de outras línguas indígenas.

10 – Grupo Kanoê

Os Kanoê (etnônimo brasílico) ou Canoês são um grupo indígena que habita o sul do estado brasileiro de Rondônia, mais precisamente as Terras Indígenas Rio Branco e Rio Guaporé.

Massacre

Em 1985, os Canoês sofreram ataques de fazendeiros em Corumbiara, município que dá nome ao documentário do franco-brasileiro Vincent Carelli. Não se sabe quantos indígenas (entre eles os da etnia akuntsu) foram mortos, mas especula-se que tenha sido usado um trator de esteira, o mesmo que serve para desmatar grandes áreas.

11 – Grupo Katukina

Catuquinas ou Katukinas é uma denominação atribuída a pelo menos três grupos indígenas.

O primeiro deles, da família linguística katukina, os chamados Katukina do Rio Biá, localizados na região do rio Jutaí, no sudoeste do estado do Amazonas, nas Terras Indígenas Paumari do Cuniuá, Paumari do Lago Paricá, Rio Biá e Tapauá.

São também chamados Katukina dois grupos da família linguística pano, localizados no estado do Acre. Mas nenhum desses dois grupos pano reconhece o termo "katukina" como autodenominação. Um deles, localizado nas margens do rio Envira, próximo à cidade de Feijó, autodenomina-se Shanenawa e seria parte de um clã do povo Yawanawá:

"Desde os tempos imemoriais, os Yawanawá, o povo da queixada, ocupam as cabeceiras do rio Gregório, afluente do rio Juruá, geograficamente pertencente ao município de Tarauacá, Acre. Sua população atual é de 636 pessoas e pertence ao tronco linguístico Pano. As famílias estão distribuídas nas comunidades Nova Esperança, Mutum, Escondido, Tibúrcio e Matrinxã. As comunidades são formadas pelas famílias Yawanawá, Arara, Kãmãnawa (povo da onça), Iskunawa (povo do japó), Ushunawa (povo da cor branca), Shanenawa (povo do pássaro azul), Rununawa (povo da cobra) e Kaxinawá (povo do morcego)."
Já o outro grupo, denominado Katukina-Pano, habitante das aldeias localizadas nas margens dos rios Campinas e Gregório, não reconhece qualquer significado no nome "Katukina" na sua língua, mas aceita a denominação. Dizem os seus integrantes que ela foi "dada pelo governo". No entanto, nos últimos anos, jovens lideranças indígenas têm estimulado a consolidação da denominação de Noke Kuin, Noke Kui ou Noke Koi (em português, "gente verdadeira") para o grupo. Internamente, são usadas seis outras autodenominações, que se referem aos seis clãs nos quais o grupo se divide. Observou-se que tais denominações são praticamente idênticas aos nomes de alguns clãs do povo Marubo, com o qual os chamados Katukina-Pano apresentam várias outras semelhanças linguísticas e culturais.

12 – Grupo Kwazá

Os Kwazá (também Coaiá ou Koaiá) são um povo ameríndio que habita o sul do estado brasileiro de Rondônia, região onde moravam desde tempo imemorial. Após a abertura da BR-364, nos anos 1960, fazendeiros os expulsaram das terras férteis em que moravam e em 2008 formavam uma sociedade de apenas 40 indivíduos, que viviam na Terra Indígena Tubarão-Latundê, no município de Chupinguaia, junto com os Aikanã e os Latundê. A maioria deles são mestiçados com os Aikanã. Há ainda uma outra família mestiça de Kwazá e Aikanã vivendo na Terra Indígena Kwazá do Rio São Pedro. Falam uma língua isolada que está ameaçada de extinção.
Grupos Maku, Mura, Nambikwara e Pano em Toy Art

13 – Grupo Maku

Os Macus são um grupo indígena brasileiro que se dividem nos subgrupos Dâw, Hupdá, Iuhupde e Nadebe. O termo, contudo, pode remeter ainda a um grupo indígena que habitava o estado brasileiro de Roraima e que se teria fundido com os iecuanas no século XX. Segundo Jorge Pozzobon (1955-2001) é comum na região a distinção entre os chamados "índios do rio", de fala Tukano e Arawak, e os "índios do mato", de fala Maku. Os cerca de três mil Maku (1999) se distribuem num território entre o Brasil e a Colômbia numa área de aproximadamente 20 milhões de hectares, onde se dispersam pelas manchas de floresta, limitada a noroeste pelo rio Guaviare (afluente colombianos do rio Orinoco), ao norte pelo rio Negro, ao sul pelo rio Japurá e a sudeste pelo rio Uneiuxi (afluente brasileiro do Negro).

14 – Grupo Mura

Os muras são um grupo indígena brasileiro que habita o centro e o leste do estado do Amazonas, mais precisamente nas áreas indígenas Boa Vista, Capivara, Cuia, Cunha, Gavião, Guapenu, Itaitinga, Lago Aiapoá, Murutinga, Natal/Felicidade, Onça, Padre, Paracuhuba, Recreio/São Félix, São Pedro, Tracajá, Trincheira, Méria, Miratu, Tabocal e Pantaleão.

15 – Grupo Nambikwara

Os Nambikwara, também chamados Anunsu, Anunzê, Nanbikuara, Nambikuara, Nambiquara, Nhambikuara ou Nhambiquara, são um povo indígena brasileiro. Estão localizados no oeste do Mato Grosso e em Rondônia.

Em 1999, somavam 1 145 indivíduos. Seus costumes são a caça e a coleta e quase nunca tiveram contato com os não índios até 1965, quando não índios começaram a invadir suas terras para o garimpo e para a extração ilegal de madeira.

Seus subgrupos são os Nambikwara do Campo (Mato Grosso e Rondônia), Nambikwara do Norte (Mato Grosso e Rondônia), Nambikwara do Sararé (Mato Grosso) e Nambikwara do Sul (Mato Grosso).

Sua língua pertence à família Nambikwara.

16 – Grupo Pano

Os panos são grupos indígenas cujas línguas pertencem à família linguística Pano. No passado, foram chamados de barbudos.

Segundo alguns linguistas, o termo pano é pejorativo: vem de panobu, que significaria "os chorões", não sendo uma auto-denominação destes povos, mas sim, um heterônimo, dado por povos pertencentes a outras famílias linguísticas.

Os povos pertencentes à família Pano estão localizados no extremo oeste da Amazônia brasileira e na região correspondente ao piemonte andino, no Peru.

Todos os povos cujas denominações são terminados pelo sufixo -nawa, -náua ou -nauá pertencem a este grupo: Kaxinawá, Yawanawá, Shawanawá (ou Shawadawã), Shanenawá, Jaminawá, entre outros. Também pertencem a este grupo os Marubo e Corubo (Vale do Javari) e Shipibo (Juruá-Ucaially peruano). Os Katukina do Acre também falam uma língua da família Pano (não confundir com os Katukina do Amazonas). Aparentemente o sufixo -náua ou -nawa designa "povo" ou "gente", acrescido de um prenome indica a que clã este povo pertence. Ex: Shanenaua (povo do pássaro azul), Yawanawá (povo do queixada), etc. Os povos Pano ou nawa compartilham semelhanças não apenas linguísticas mas também nas músicas tradicionais, nas práticas ritualísticas, nas histórias tradicionais e na pintura corporal, entre outros aspectos de sua cultura.
Grupos Trumai, Tikuna, Txapakura e Yanomami em Toy Art

17 – Grupo Trumai

O Trumai é uma língua isolada e realmente comprometida, foi o ultimo grupo a cehgar no Xingú.  Existem hoje apenas 30 falantes e as crianças não mais aprendem a língua, preferindo falar o português, embora alguns deles também falem outras línguas xinguanas, como o Kamayará, o Aweti ou o Suyá.

18 – Grupo Tikuna

Os Ticuna (Tikuna, Tukuna ou Magüta) são um povo ameríndio que habita, atualmente, a fronteira entre o Peru e o Brasil e o Trapézio amazônico, na Colômbia. Formam uma sociedade de mais de 50 000 indivíduos, divididos entre Brasil (36 mil), Colômbia (oito mil) e Peru (sete mil), sendo o mais numeroso povo indígena da Amazônia brasileira.

19 – Grupo Txapakura

Os Txapakuras, vieram das regiões de bacias, igarapés, afluentes e cabeceiras de rios localizados no sudoeste da Amazônia. Ocupavam as regiões das bacias do rio laje e as Bacias do rio Ouro Preto, o igarapé da Gruta, o igarapé Santo André e o igarapé rio Negro, as afluente da margem direita do Mamoré de onde veio uma de suas denominações.

Entretanto, até o início do século XX mantiveram-se isolados, possivelmente porque viviam em áreas de acesso difícil ou de pouco interesse econômico. Os Waris, do grupo Txapakuras foram mencionados pela primeira vez na história pelo Coronel Ricardo Franco em 1798, encontrados as margens do rio Pacaás Novos.

Essa situação veio a mudar com o desenvolvimento do processo de vulcanização da borracha, que aconteceu em meados do século XIX, que provocou a busca por essa matéria prima nas florestas, até então muito pouco exploradas.

20 – Grupo Yanomami

Os ianomâmis,Yanomami, Yanoama, Yanomani ou Ianomami são índios caçadores-agricultores que habitam o Brasil e a Venezuela. Compõe-se de quatro subgrupos: Yanomae, Yanõmami, Sanima e Ninam. Cada subgrupo fala uma língua própria: juntas, elas compõe a família linguística ianomâmi. A tribo Ianomâmi é a sétima maior tribo indígena brasileira, com 15 mil pessoas distribuídas em 255 aldeias relacionadas entre si em maior ou menor grau. A noroeste de Roraima, estão situadas 197 aldeias que somam 9 506 pessoas e, a norte do Amazonas, estão situadas 58 aldeias que somam 6 510 pessoas.



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*Otaku (おたく?) é um termo usado no Japão e outros países para designar os fãs de animes e mangás. Entretanto, no Japão, o termo pode ser utilizado para designar um fã de qualquer coisa em um grande excesso.

A palavra otaku em japonês é, originalmente, um tratamento respeitoso na segunda pessoa(お宅? lit. seu lar), ou "vossa casa", uma espécie de pronome do nipônico mais arcaico. Essa referencia surgiu da combinação entre a prosperidade econômica do Japão no pós-guerra, a relação intensa entre consumo e tecnologias midiáticas e o apelo das referências visuais dos mangás (história em quadrinhos) e dos animes (filme de animação).Otaku passou a ser atribuído às pessoas que passavam muito tempo em casa, consumindo tal cultura.



O humorista e cronista Akio Nakamori observou que a palavra era muito utilizada entre fãs de animes e a popularizou por volta de 1989, quando a utilizou em um de seus livros.

Oro Win

Toy Art Oro Win
#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
153Oro WinOro Towati', Oroin, Uruin, Oro Win, Oro Towati'Txapakura
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
RO73Funasa 2010


Autodenominação: Oro Win ou Oro Towati’. Oro, nessa língua da família Txapakura, significa 'coletivo' ou 'grupo'.

Outros Nomes: Eles preferem usar o nome do seu clã mais do que Oro Win.

População: 73 (SIASI/SESAI 2012).

Localização: Rondônia na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, área oficial d 1.867.120 ha, homologada e registrada no CRI e SPU, com 322 indígenas (SIASI/SESAI 2012), 113 Amondawa (veja perfil separado), 17 Juma (veja perfil separado), 73 Oro Win e 115 Uru-Eu-Wau-Wau (veja perfil separado).

Língua: Sua língua com Wari e Moré (Itene), o povo que mora no lado Boliviano do rio Guaporé forma a família linguística Txapakura. A língua é quase extinta (SIL).

História: Os Oro Win provavelmente fugiram os jesuítas espanhóis na Colômbia, e subiram nas serras Pacaás Novos no século com o primeiro ciclo da borracha. Os Oro-Win vivem nas cabeceiras do rio Pacaás Novos, e suas terras tradicionais incluem este rio e seus afluentes entre o igarapé São João subindo nas cabeceiras até a serra dos Pacaás Novos. Os Uru-eu-wau-wau invadiram sua terra no início do século 20. Os seringueiros chegaram na região nos anos 40 e quando foi estabelecido o seringal São Luís em 1963, e houve um genocídio os Oro Win por Manoel Lucindo da Silva e os sobreviventes foram obrigados a trabalhar na borraça até 1980, quando foram viver com os Wari. Quando o Seringal São Luís foi expulso em 1991, e Manoel Silva condenado em 1994, eles puderam voltar a sua terra tradicional, e uns setenta deles moram no antigo seringal e o Posto Indígena foi criado (Birchall 2011).

Estilo da Vida: A T. I. tem um Posto Indígena Oro-win ???. Há ainda um Posto Indígena não oficial chamado São Luiz, onde mora a comunidade Oro-win, localizada na margem do rio de mesmo nome e assistida pela Administração Regional de Guajará Mirim. A metade da T. I. é rochosa e montanhosa e forma a transição entre a floresta e o cerrado. Dez e sete rios nascem nas escarpas das serras dentro a Terra. Vivem em subgrupos em aldeias separadas. Os Oro Win moram nas aldeias São Luís e Pedreira, os da última se chamam Oro Win-Cabixi. Os Oro Masam vivem no rio Paás Novos próximo à segunda cachoeira. Os Oro Am vivem no médio Igarapé Água Branca, Os Oro Towati' e os Oro Kitam têm suas malocas próximo à confluência do Igarapé Água Branca com o rio Pacaás Novos. Antigamente os Oro Win construíram maloca de dua águas para abrigar todo o parentesco. Nas roças plantavam milho, macaxeira, taioba, cará e batata doce. Pós-contato o plantio é de mandioca para fazer farinha. Caçam porcos do mato, macacos, anta e aves. Pescam e coletam frutos silvestres como açaí, castanha, tucumã, ingá e mel. Perto da casa plantam pés frutas, amendoim e temperos (Bichall 2011).

Sociedade: O casamento é exogâmico entre os subgrupos ou clãs e de preferencia aos primos cruzados. Em 2012 pela primeira vez no Estado de Rondônia um indígena, Roberto Oro-win, foi eleito vereador do PSB no município de Guajará-Mirim. Ele trabalha com agente de saúde da aldeia de São Luíz.

Artesanato: Tecem-se redes, cestos e fabricam-se arcos e flechas cujas pontas eram triangulares e lisas (Birchall 2011).

Religião: Os Oro Win não praticam antropofagia funerária. Os mortos são cremados e as cinzas guardadas em urnas de cerâmica e enterradas.

Cosmovisão: Um mito descreve com um homem criou outros por engravidar uma arvore. Os filhos saíram do tronco e se dividiram entre os antropagógicos, ancestrais dos Wari e os outros que formaram os clãs dos Oro Win. Outro mito conta como um menino oro win esperto roubou o fogo de um sapo. Muitos dos animais eram homens que se transformaram em bicos (Birchall 2011).

Comentário:

Bibliografia:

BIRCHALL, Joshua, 2011, 'Oro-Win', Povos Indígenas do Brasil, Instituto Socioambiental, São Paulo. pib.socioambiental.org/pt/povo/oro-win.
DAI/AMTB 2010, 'Relatório 2010 - Etnias Indígenas do Brasil', Organizador: Ronaldo Lidório, Instituto Antropos -instituto.antropos.com.br.
HEMMING, John, 2003, Die If You Must – Brazilian Indians in the Twentieth Century, London; Pan Macmillan.
SIL 2014, Lewis, M. Paul, Gary F. Simons, and Charles D. Fennig (eds.). 2014. Ethnologue: Languages of the World, Seventeenth edition. Dallas, Texas: SIL International. Online version: www.ethnologue.com.