quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Zo'é

Toy Art Zo'é
#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
239Zo'éPoturuMondé
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
MT625Associação Povo Indígena Zoró Pangyjej 2010



Os índios que habitam o Cuminapanema se reconhecem hoje como "Zo'é", termo que significa simplesmente "nós". Esse pronome se consolidou gradativamente como uma autodenominação que os diferencia dos não-índios, chamados kirahi. Nos anos de 1980, quando tiveram que começar a conviver com os missionários e agentes da Funai, a palavra zo'é não era usada para designar a si mesmos, mas para identificar qualquer pessoa que aparentasse alguma proximidade e fosse então considerada "gente como nós". O termo Poturu, difundido na década de 80 como nome do povo Zo'é, designa tão somente a madeira da árvore utilizada para confeccionar os adornos labiais embe'pot.

Os Zo'é são um grupo da família linguística tupi-guarani que habita o interflúvio Cumunapanema/Erepecuru (atual Terra Indígena Zo'é), noroeste do estado do Pará. Atualmente totalizam 267 indivíduos, distribuídos em 14 aldeias. Eles se subdividem em diferentes grupos locais (-wan), identificados com determinadas áreas territoriais, onde estão as aldeias ancestrais, suas roças, seus acampamentos, antigos e novos. Mas as famílias pertencentes a esses grupos frequentemente convivem nas mesmas aldeias, alternando períodos de aproximação e outros de dispersão na áreas de ocupação que lhes são próprias.

A área indígena Cuminapanema, no norte do Pará, abriga um grande sucesso e um dos maiores desafios da política indigenista da Funai. Os zo'é, etnia de recente contato com o homem branco, foram salvos pela Funai em 1989 de uma epidemia de gripe levada por missionários evangélicos. Hoje, preservados, eles mantêm seus costumes e sua cultura, protegidos do contato com o branco. A dúvida agora é como preparar esses índios para o contato inevitável que terão em pouco tempo com a realidade fora das aldeias.

Por enquanto, a política da Funai tem sido preservar ao máximo esses 245 índios numa frente de proteção etnoambiental. Mas os próprios zo'é mostram-se ansiosos pelo contato com o que está fora da área indígena. A depender da Funai, essa aproximação demorará pelo menos dez anos. Até lá, tentarão descobrir como preparar os zo'é para ter esse convívio e manter suas tradições.

Uma análise detalhada dos dados populacionais de 1992 até 2013 [1] demonstra que a população Zo'é, após o final do período de mortes geradas pelo contato com os missionários, é crescente. No primeiro período o crescimento foi na ordem de 5,19%, já os subsequentes 4,14% se estabilizando em 1,83%. (1992: 138 – 1998: 171 – 2010 – 2013: 269).

Zoe-Junho2009MarioVilelaFUNAI295150-(151)
O contato com missionários protestantes norte-americanos e com sertanistas da Funai foi largamente noticiado pela mídia, que em 1989 divulgou as primeiras imagens deste povo tupí, até então vivendo numa situação de isolamento. A Funai tinha conhecimento do grupo desde pelo menos o início dos anos 70, quando procedeu ao levantamento dos grupos isolados que estavam na rota da construção da rodovia Perimetral Norte (BR-210). Na época, o contato com o grupo do Cuminapanema foi planejado, mas a interrupção das obras da Perimetral levou a  Funai a desistir do contato.

Em 1987, os Zo'é optaram pelo contato definitivo com o grupo missionário que os assediara desde 1982. A Funai passa a ter presença constante na região a partir de 1989, dividindo a assistência com os missionários até o ano de 1991, quando consegue retirar judicialmente os missionários e assume a proteção dos Zo'é. Nos primeiros anos, a política da Funai foi a de manter os índios em isolamento, porém, a partir de 2011, provocada por ações desencadeadas pelos Zo'é, a Fundação constata a necessidade de atualizar e reorientar suas ações junto a esse povo, com vistas à melhoria na política voltada aos índios recém contatados e a relação destes com o Estado brasileiro.

Os Zo’é têm seu lábio inferior perfurados com 7 ~ 9 anos de idade


Ameaça Crescente

Os Zo’é ainda são uma tribo muito vulnerável. Sua população é pequena e eles são extremamente suscetíveis a muitas doenças comuns contra as quais não tiveram tempo para criar imunidade.

Até agora, seu território está relativamente livre de invasões, e em 2009 foi oficialmente ‘ratificado’ pelo governo para a sua ocupação e utilização exclusiva.

No entanto, há uma crescente pressão sobre a terra Zo’é de caçadores e garimpeiros, e de centenas de coletores de castanha alvejando a alta qualidade das árvores de castanha do Brasil. Missionários evangélicos também estão tentando entrar. Qualquer incursão de fora representaria um risco enorme para a saúde desta tribo isolada.

Os Zo'és são poligâmicos, é bastante comum que uma mulher se case com vários homens ao mesmo tempo.

A fronteira da soja e da pecuária para o sul do território Zo’é está movendo-se constantemente para o norte, e há temores de que será difícil manter os agricultores fora deste grande território a menos que um rigoroso programa de proteção de terra seja implementado.

[1] Relatório de Consultoria para o Programa para Proteção e Gestão Sustentável das Florestas Tropicais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário