terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Ashaninka

Toy Art Ashaninka


#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
23AshaninkaKampa, AshenikaAruak
UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
AC1291Siasi/Sesai 2012
Peru97477INEI 2007


O povo Ashaninka, (também denominados Kampa, [2] Ande, Anti, Chuncho, Pilcozone, Tamba, Campari, Asheninka, Ashaninka e Ashininka) que em sua língua significa “seres humanos” ou “nossa gente”, pertencem ao ramo ocidental da família lingüística Aruak, juntamente com os Piro, Mat-singuenga, Amuesha, Nomatsinguen-ga, formando o conjunto pré-andino.

São mais de 70 000 índios, sendo cerca de 1291 (Siasi/Sesai 2012) vivem no Brasil e 51 000 no Peru. Habitam as Terras Indígenas Kampa do Rio Amônia, Kampa do Rio Envira, Kaxinawá do Rio Humaitá, Kaxinawá/Ashaninka do rio Breu e Terra Indígena Igarapé Primavera, no sudoeste do estado do Acre, no Brasil. se organiza em grupos locais, ligados por relações de parentesco em torno do homem mais velho, compreendendo uma unidade política, podendo chegar a uma aglutinação maior, a chefia. Ao chefe ou kuraka, cabem as decisões relacionadas à comunidade. Atualmente essas chefias são mais raras, devido à grande dispersão e deslocamento das famílias. 
Benki Piyanco, lier Ashaninka que viaja para vários países do mundo ensinando o que seus ancestrais acumularam em milênios de convívio harmônico com a floresta. Ganhador de prêmios de direitos humanos da Presidência da República e da ONU .
O povo Asaninka sabe bem como manter seu estilo de vida e amo mesmo tempo, interagir produtivamente com o homem branco. Um exemplo disso é o trabalho que Benki Picanço vem fazendo levando a filosofia da floresta para o mundo. 

filho de um sábio sanção e de uma mulher branca, Benki foi ganhador de diversos prêmios;o de direitos humanos da Presidência da República, da ONU na Alemanha. Ele leva seu conhecimento ancestral sobre o convívio harmônico com a floresta.

“Vimos a necessidade de toda nossa fragilidade quando os patrões massacraram, destruíram e escravizaram nosso povo. Passando por esse massacre, quando nos usavam para explorar a madeira e a borracha vimos que estávamos matando muito a natureza e os animais. Isso foi decisivo na década de 80 com a empresa Marmude Cameli, relacionada ao ex governador, para procurarmos a Funai e organizarmos nosso povo para mudar a história”.

A economia Ashaninka se baseia na agricultura de subsistência, principalmente de mandioca, que é a base de sua alimentação. Porém, cultivam diversas espécies de batata, milho e banana. Também fazem parte de sua economia tradicional a caça, a pesca e a coleta de frutas e sementes para confeccionar o artesanato.

Tecelagem Ashaninka

Fotos de Adriana Fernanda Buso
Os Ashaninka sem duvida encontram na tecelagem seu principal motivo de orgulho, a vestimenta masculina tradicional chamada Cushma (Cusma ou Cushma, também grafada com “K”, Kushma, por José Pimenta)  é, segundo a pesquisadora Margarete Kitaka Mendes, o que mais identifica um Ashaninka, que a usa desde a mais tenra idade: “os Ashaninka mostram-se sobremaneira orgulhosos de suas belas e longas túnicas, ostentando-as como fórmula inequívoca para serem reconhecidos como Asheninka” (Etnografia preliminar dos Ashaninka da Amazônia Brasileira, 1991: 65).

“O modelo masculino é com decote em “V”, e o feminino com decote canoa. A cushma feminina há algum tempo não é mais tecida no tear, mas é confeccionada com tecido de algodão industrializado. O padrão e as técnicas de confecção se mantiveram. Quando perguntadas sobre o porquê de usar o tecido dos brancos, enquanto continuam tecendo as cusmas para os homens, respondem que o tecido Ashaninka é muito quente e elas não podem tirar suas cusmas, tal qual os homens fazem, quando estão trabalhando. Por isso preferem o tecido dos brancos que é mais leve”. PIMENTA (2006: 17) acrescenta o valor cultural que é dado às cushmas quando usadas no cotidiano da aldeia “Os Ashaninka afirmam que algumas peças, como os txoshiki (grandes colares usados a tiracolo) ou as kushma (vestimentas tradicionais), são poderosos veículos da mitologia e da identidade do povo. Mas eles também dizem que essas peças só têm valor quando são usadas no cotidiano, ou seja, a partir do momento que elas adquirem uma “vida social” (termo cunhado por Arjun Appadurai, 1986, apud Pimenta). Assim, a kushma, por exemplo, não é apenas um produto. Ela está ligada à pessoa que a veste e que lhe dá um valor social e cultural”.

Xamanismo

Entre os Asháninka, tanto a bebida feita de ayuaska como o ritual são chamados kamarãpi ("vômito, vomitar"). A cerimônia é sempre realizada à noite e pode se prolongar até de madrugada. As reuniões são constituídas de grupos pequenos (cinco ou seis pessoas). O kamarãpi se caracteriza pelo respeito e silêncio, sendo a comunicação entre os participantes mínima, interrompida apenas por cantos inspirados pela bebida. Esses cantos sagrados do kamarãpi não são acompanhados por nenhum instrumento musical e permitem aos Ashaninka comunicarem-se com os espíritos, agradecerem e homenagearem Pawa, o sol, que, em sua mitologia, é o filho da Lua.

O kamarãpi é um legado de Pawa, que deixou a bebida para que os Ashaninka adquirissem o conhecimento e aprendessem como se deve viver na Terra. O conhecimento e o aprendizado xamânicos (sheripiari) se dão através do consumo regular e repetitivo da bebida, durante anos, sem nunca estar concluídos. A experiência confere respeito e credibilidade. É através do kamarãpi que o sheripiari realiza suas viagens nos outros mundos e adquire a sabedoria para curar os males e as doenças que afetam a comunidade. A cura realizada através do kamarãpi é eficaz apenas para as doenças nativas causadas, geralmente, por meio da feitiçaria. Contra as "doenças de branco", os Ashaninka só podem lutar com o auxílio de remédios industrializados.

Em um trabalho de campo realizado entre julho e setembro de 2007 numa comunidade Asháninka de Bajo Quimiriki, no Distrito de Pichanaqui, no Departamento de Junín, no Peru, foi identificada a utilização de 402 plantas medicinais, principalmente ervas. As famílias mais importantes, em termos de taxa, foram Asteraceae, Araceae, Rubiaceae, Euphorbiaceae, Solanaceae e Piperaceae. 84 por cento das plantas medicinais eram selvagens e 63 por cento foram coletadas da floresta. Espécimes exóticos representaram apenas 2 por cento das plantas medicinais. Problemas relacionados à pele, sistema digestivo e a categorias próprias de seu sistema de crenças culturais representaram 57 por cento de todas as aplicações medicinais.

Osklen Ashaninka

Diversas marcas de roupas brasileiras se inspiram em elementos das etnias brasileiras em suas coleções, recentemente a Cavalera se baseou na etnia Yawanawá, do Acre, em abril de 2015, a Osklen apresentou no SPFW a influência Ashaninka na coleção de verão 2016.
"Habitantes da Floresta Amazônica diferem de outros grupos indígenas não só por usarem vestimentas, mas por sua qualidade estética que evoca rico repertório de simbolismos" - Oskar Metsavaht - diretor criativo da Osklen

O diretor criativo da Osklen, Oskar Metsavaht, declarou que sempre quis criar uma coleção que expressasse essa cultura. "Particular e bela nos trajes, no gestual e na relação com o universo, o povo Ashaninka foi a inspiração para meu exercício criativo. Habitantes da Floresta Amazônica diferem de outros grupos indígenas não só por usarem vestimentas, mas por sua qualidade estética que evoca rico repertório de simbolismos. A importância que dão à beleza e ao significado de sua estética me interessa, é singular", declarou.

As estampas de macro penas passeiam entre as cores offwhite, vermelho urucum, preto e palha. Os tecidos selecionados para representar a força e identidade indígena foram seda, linho, organza de seda e moletom. Para completar os looks, e-fabrics de seda rústica, seda pet, palha de seda tribal, palha de seda, seda stretch, malha pet e tricot reciclado, pirarucu e salmão também foram usadas. 

Um comentário:

  1. Que gigante é este país Brasil. Maravilhoso!!Parabéns ao povo indígena Ashaninka, que acompanha o desenvolvimento e participa na proteção da Floresta Amazônica.

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