sábado, 5 de novembro de 2016

Kambiwá

Toy art Kambiwá


#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
83KambiwáCambiua

UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
PE2954Funasa 2010


Os Kambiwás são um grupo indígena que habita os limites dos municípios brasileiros de Inajá, Ibimirim e Floresta, todos no estado de Pernambuco, na Área Indígena Kambiwá.

Localização

No coração do sertão de Pernambuco, entre os municípios de Inajá e Ibimirim, vivem os índios Kambiwás, reconhecidos pela FUNAI em 1978. A história desse povo é muito parecida com a de outros povos indígenas: foram expulsos das suas terras de origem por fazendeiros e até hoje lutam para reconquistar o direito de uso do seu território.

Organização social

O termo Kambiwá significa “retorno à Serra Negra”, a tão sonhada terra dos mais de 2.400 índios*. A Serra Negra é a área sagrada para esta e outras populações indígenas da região, sendo nela realizados importantes rituais da cultura destes povos. Atualmente, os Kambiwá estão distribuídos em oito aldeamentos principais: Pereiro, Nazário, Serra do Periquito, Tear, Garapão, Americano, Faveleira e Baixa da Índia Alexandra, a aldeia principal, onde se encontra o Posto Indígena Kambiwá.

O povo organiza-se através do cacique, que é responsável pelas articulações políticas; o pajé, o líder religioso; e os conselheiros, que são representantes das famílias tradicionais de cada aldeamento.
Ritual Praia Kambiwá

Tradições

Dentre os rituais religiosos dos Kambiwá, destacam-se o Toré, cerimônia religiosa aberta, onde os índios dançam nos terreiros das aldeias e costumam ingerir uma bebida extraída da juremeira – a jurema ou anjucá – e o Praiá, que é um dos mais importantes rituais cujo sentido religioso não é totalmente revelado. O nome Praiá designa tanto o ritual como os personagens, que são homens vestidos com máscaras de corpo inteiro, feitas com a fibra do caroá. No âmbito do segredo e do sagrado, os Praiá atuam como elemento de comunicação com os ancestrais.

É comum nessas cerimônias cantarem toantes formados de pequenas quadras, geralmente em português. Estes toantes falam sobre o tempo em que os antepassados habitavam a Serra Negra e a sua autoria é dada aos “antigos”:

Urubu de Serra Negra De velho não cai a pena De comer mangaba verde, cunhã Beber água na Jurema Sou índio de Serra Negra Eu sou Caboclo-de-Pena Eu venho fazer penitência Tomando o vinho da jurema

Além dos rituais específicos, o povo Kambiwá possui a tradição do catolicismo, tendo como seu padroeiro São Francisco, o qual é homenageado anualmente no mês de outubro com novenas e festas. A igreja na aldeia da Baixa da Alexandra leva seu nome. Também durante o mês de maio são realizadas novenas a Maria.

Ó Mãe de Deus Ela é mãe soberana Ó Mãe de Deus Tenha pena de nós

Vamos trabalhar Com muita fé em Deus Se a mãe de Deus Nos ajudar, ô ínã hei

Território

Terras Indigenas Kambiwá

A terra Kambiwá está situada no sertão pernambucano, na parte do sub-médio São Francisco, onde predomina clima seco de estepe com chuvas irregulares, provocando constantes períodos de estiagem. De acordo com o levantamento do CONDEPE (1980) menos de um quarto do território homologado em 1998 pelo Governo Federal se presta para o plantio. Ainda assim, parte do território está ocupado por fazendeiros.

Esta situação, aliada à ausência de políticas que venham a garantir a exploração daquele ecossistema, deixa a comunidade com poucas opções além da agricultura de subsistência. O solo arenoso e as pragas comuns na região, inviabilizam o plantio de culturas permanentes. O raro excedente das lavouras é escoado nas feiras livres de cidades próximas. A escassez de água é um dos principais problemas para a manutenção econômica. Sua obtenção é feita através dos poucos poços existentes, cuja profundidade é sempre superior a 100m. É comum a construção de "barreiros" ou seja, pequenos lagos artificiais para o armazenamento da água proveniente das chuvas.

Arikapú

Toy Art Arikapú


#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
21Arikapú
Jabutí

UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
RO34Siasi/Sesai 2012


Povo co tribos divididas entre várias aldeias ao longo do médio rio Branco. Essa Tribo Indigena foi homologada em 1986. A maioria da população é denominada Tupari, mas há também grupos menores como os Makurap, os Aruá, os Kanoê, os Djeoromitxí e os Arikapú.

A aldeia principal, São Luis, é acessível por carro de Alta Floresta d’Oeste. As outras aldeias, como Trinitário, Colorado, Cajuí e outras só podem ser alcançadas pelo rio e, devido ao seu isolamento, as línguas indígenas e muitas práticas culturais tradicionais estão melhor preservadas. Pesca-se com arco e flecha; há pajés utilizando o paricá para curar, e ainda há as festas de chicha, ocasião em que se pintam com o urucum e o jenipapo, cantam e dançam de modo tradicional. Os pajés Arikapú eram tradicionalmente conhecidos como os mais poderosos da região. Ainda hoje, o pajé mais respeitado pertence a esse grupo.
Colar de folhas Arikapú

A parte meridional da T. I. Rio Branco faz divisa com a Reserva Biológica do Guaporé. Essa reserva tem parte de sua área incidindo sobre a Terra Indígena Massaco, onde vivem grupos isolados. Sua língua e identidade étnica ainda são desconhecidas.

A T. I. Rio Branco e seus habitantes são constantemente ameaçados por seus vizinhos não-indígenas e pelos políticos estaduais de diversas maneiras. Devido ao desmatamento contínuo nos arredores, a área se parece cada vez mais a uma ilha, onde a caça está ficando escassa, aumentando a dependência à pesca. Ao mesmo tempo, invasores entram na reserva praticando a pesca ilegal em grande escala. Os pesticidas utilizados nas fazendas, localizadas na região das cabeceiras (que fica fora da T. I.), acabam indo para o rio principal, colocando em risco a saúde dos que ali vivem. Os projetos hidroelétricos irregulares da região também provocam graves danos aos ecossistemas fluviais. Finalmente, a atividade madeireira ilegal dentro da T. I. causa ainda mais danos ecológicos.

Há relatos de destruição de sítios arqueológicos em função de obras de construção em Paulo Saldanha, no alto rio Branco. Em alguns casos, urnas funerárias foram desenterradas e propositalmente destruídas na tentativa de ocultar evidências jurídicas. Um dos últimos falantes do Arikapú enterrou (de modo tradicional) sua mãe e sua filha de cinco anos nas cabeceiras do rio Branco e ficou transtornado ao saber da possível destruição de seus túmulos. Este tipo de ação prejudica as opções futuras dos Arikapú e de outros grupos de reivindicarem suas terras ancestrais.

A desvalorização da cultura tradicional acelerou-se recentemente com a chegada de uma igreja protestante fundamentalista que desaprova o xamanismo e as festas tradicionais, criando assim uma divisão interna na comunidade.

T. I. Guaporé
A Terra Indígena Guaporé tem mais de 600 habitantes, divididos entre várias aldeias nas baias e nos lagos ao longo do grande rio Guaporé. A homologação dessa T. I. ocorreu em 1996.

A população é formada por famílias mistas de Aruá, Wayurú, Makurap, Tupari, Kanoê, Aikanã, Djeoromitxí, Arikapú, Wari’ e Kuyubi. A maioria das pessoas vive na aldeia superpovoada Ricardo Franco (antigo nome da reserva), no próprio rio Guaporé. Há um posto da Funai, um posto médico e uma escola.

Semelhante ao caso de São Luis, em Ricardo Franco, a influência da cultura dos não-indígenas é forte. A maioria dos jovens encontrou poucas opções de vida, o que causa muitos problemas sociais. A vida nas outras aldeias (Baia das Onças, Baia da Coca e Baia Rica) é melhor no que diz respeito à caça, à pesca e à agricultura de roçado. Além disso, as línguas indígenas e muitos elementos da cultura tradicional são ali melhor preservados. A região ao redor da T. I. Guaporé não é totalmente conhecida e pode ser que haja grupos isolados. Muitos habitantes da área relatam que em várias ocasiões tiveram encontros com índios não-identificados.

Como na T. I. Rio Branco, existe na T. I. Guaporé a pesca ilegal, no entanto a atividade madeireira e o problema com os pesticidas agrícolas ocorrem em menor escala – isso por causa de sua localização mais isolada e sem acesso terrestre. Outros problemas surgem na área. por conta de sua proximidade com a Bolívia, que fica a uma distância de 300 metros na outra margem do Guaporé. Há quatro anos vem acontecendo de forma constante a dragagem ilegal de cascalho na margem brasileira na Baia das Onças. O que se diz é que o cascalho é utilizado na produção de cimento, mas as atividades têm a aparência de garimpagem. Qualquer que seja a finalidade, tal atividade é danosa ao ambiente da região, pois destrói as encostas e pode alterar assim a correnteza do rio. Estas ações foram denunciadas em vão às autoridades, visto a facilidade de levar os equipamentos para o lado boliviano antes da chegada da Polícia Federal, que vem da longínqua cidade de Guajará-Mirim.

Desana

Toy art Desana

#NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
45DesanaDesano, DessanoTukano

UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
AM2028Siasi/Sesai 2012
Colombia20361998


Os Desanas são um grupo indígena que habita no Noroeste do estado brasileiros do Amazonas, nas Áreas Indígenas Alto Rio Negro, Médio Rio Negro I, Médio Rio Negro II, Pari Cachoeira I, Pari Cachoeira II, Pari Cachoeira III, Taracuá, Yauareté I e Reserva Indígena Balaio, além da Colômbia.

Autodenominam-se Umukomasã. Sua língua caracteriza-se como da família tukano oriental. Na realidade línguas muito próximas no que diz respeito à gramática e ao vocabulário. Distribuem-se pela bacia do Rio Uaupés afluente do alto curso do rio Negro e outras bacias vizinhas ao sul. Os grupos que integram os Tukano Oriental organizam-se em fratrias e sibs patrilineares exogâmicos (grupos de descendentes de um ancestral comum que não casam entre si): Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Miriti-tapuya, Pirá-tapuya, Siriano, Tariana, Tukano, Tuyuka, Kotiria, Taiwano, Tatuyo, Yuruti (sendo que as três últimas habitam só na Colômbia). Na região compartilham convenções sobre o uso dessas línguas: a maioria fala pelo menos duas línguas e freqüentemente compreende outras, privilegiando a língua paterna nas conversas cotidianas.
O herptologo Frank Cuesta em visita a tribo dos Desana no programa do Discoery Channel, Perdido na Amazonia 

Os Desana, ou Umuko Masá (“gente do universo”), são um dos dezesseis povos dessa família lingüística que moram nesse no Brasil e na Colômbia. Sendo aproximadamente 1,5 mil indivíduos no Brasil, distribuindo-se se em cerca de 60 comunidades misturadas a comunidades de outros povos da mesma família lingüística.

Xamanismo

Pintura Feminina Desana - foto David Lazar

Nos rituais dos Desana com propósito  de prevenção e cura de doenças, segundo a fonte do seu poder e a natureza de suas práticas terapêuticas: os yea, ou xamãs-onça, e os kumua, ou xamãs-rezadores. Os yea, cujo poder advém do contato estabelecido com os espíritos por meio da inalação do pó de paricá, são descritos como tendo a capacidade de se transformar em onça (daí o seu nome) para realizar certas tarefas. Eles efetuam as curas xamânicas através de diversas técnicas de manipulação do corpo (massagens, sucção, etc.) que visam a extrair do corpo do doente o objeto patogênico.Os kumu (especialistas religiosos) também utilizam em seus rituais coca, tabaco e ayahuasca