quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Arara da Volta Grande do Xingu


.  #   NomesOutros nomes ou grafiasFamília linguísticaInformações demográficas
16Arara da Volta Grande do XinguArara do Maia

UF / PaísPopulaçãoFonte/Ano
PA110Siasi/Sesai 2012



Os Arara da Volta Grande do Xingu vivenciaram o contato com o colonizador do século XVIII, o avanço da empresa extrativista na região, os constantes conflitos com outros grupos indígenas e a abertura da Transamazônica, a qual promoveu levas de migrações e a busca de novos espaços pelos colonos e empresas extrativistas. Estes impactos na região mudaram consideravelmente as relações socioeconômica, cosmológica e política no modo de vida dos Arara, assim como de suas relações com a região e demais grupos étnicos existes em seu entorno.

Segundo os relatos dos velhos, os Arara da Volta Grande do Xingu são descendentes dos Arara do rio Bacajá. A relação de parentesco com os Arara do rio Iriri (conhecidos como apenas Arara ou Arara do Pará), se existiu, ficou num passado distante. Um dos elos entre a história passada e a história recente é o chefe do grupo, o sexagenário Leôncio Ferreira do Nascimento.

Com a chegada do mega empreendimento Usina Hidrelétrica de Belo Monte o impacto ambiental, econômico, social e cultural é de maior magnitude levando a modificações mais invasivas na forma dos Arara pensarem e conduzirem suas vidas.
Crianças da aldeia Arara da Volta Grande do Xingu

A vazão reduzida provocada pelo empreendimento no trecho da Volta Grande do Xingu  fará, na previsão dos Arara, que os encantados mudem para outros lugares.

Mesmo não concordando com o que está acontecendo agora na região, esperam com certa desconfiança, os programas e projetos arrolados no Plano Básico Ambiental (PBA). A perspectiva é que o Plano Básico seja cumprido pela empresa responsável pelo empreendimento Norte Energia/S/A, o qual espera-se que amenize as profundas modificações que estão paulatinamente acontecendo.

Localização 

O deslocamento das primeiras famílias Arara que deram origem ao grupo de Leôncio Arara ocorreu do rio Bacajá para o rio Xingu em meados do século XIX.

Os Arara em questão estão localizados na parte baixa da bacia do Xingu, conhecida como Volta Grande, entre os rios Bacajá e Bacajaí (daí serem conhecidos como Arara da Volta Grande do Xingu). Habitam a confluência dos rios Xingu e Bacajá, na Terra Indígena Arara da Volta Grande do Xingu. A região é de muitas corredeiras e ilhas. As ilhas são fundamentais para a vida dos Araras, pois as usam para pescar e caçar.

No que tange ao acesso da aldeia Wangã até a cidade de Altamira as embarcações Arara – canoa a remo - levam de 7h a 8horas de viagem para fazer este trajeto no verão. No inverno, essas embarcações fazem o mesmo trajeto em menos de sete horas. Esse acesso vem sendo utilizado desde que seus antepassados migraram para o rio Xingu no século XIX. O percurso tem sido realizado também pela navegação local, embarcação do tipo voadeira, em um tempo de cerca de três horas para percorrer o mesmo trajeto realizado pelos Arara. 

Aldeia Arara Volta Grande do
Xingu - Foto Rafael Salazar 2009
Os comerciantes realizavam viagens com maior frequência entre Altamira, Ilha da Fazenda, Garimpo do Galo ou Garimpo do Itatá para realizar negócios. Desde 2002 com o processo de regularização da terra e a retomada dos estudos e discussões sobre a construção da hidrelétrica de Belo Monte, a navegação comercial e de transporte passou a estender seu percurso até a aldeia Wangã. Portanto, a acessibilidade entre a aldeia e o centro de Altamira se intensificou.

A utilização do rio Xingu como via de comunicação e trafego tem sido o único, no entanto, com a realização do estudo de impacto ambiental - Componente Indígena da BR-230 – rodovia Transamazônica, a comunidade passou a indicar outra possibilidade de saída, qual seja o ramal do Surubim. O ramal está localizado a oeste da referida terra e se estende até a rodovia transamazônica na altura do km 100. Este acesso é utilizado pelos fazendeiros que por meio de um acordo com os Arara acertaram que o ramal pode servir as partes sem que haja conflitos. Esta via de acesso e comunicação é a saída que os Arara encontraram para não ficar limitados ao trafego no rio Xingu. O rio Xingu passará por grandes modificações após a construção da UHE Belo Monte, pois a região da Volta Grande do Xingu faz parte do Trecho de Vazão Reduzida. Diante disso, esta foi a alternativa encontrada para não ficarem reféns do acesso proposto pelo projeto de construção da referida hidrelétrica.

A TI Arara da Volta Grande do Xingu foi declarada de posse permanente dos índios em janeiro de 2011. A regularização dessa terra é um dos condicionantes da construção da Usina de Belo Monte. 

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